Árvores 'doentes' são risco em Londrina
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quinta-feira, 25 de fevereiro de 1999
Célia Baroni 
Cerca de 20% das cerca de 300 mil árvores plantadas em locais públicos de Londrina estão condenadas. Os números foram fornecidos ontem pelo presidente da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA), Mauro Maggi. Elas foram plantadas há mais de 20 anos e com as sucessivas podas erradas estão doentes, oferecendo riscos à comunidade, afirmou.
Só no vendaval que atingiu a cidade no início da tarde de quarta-feira, 20 árvores e mais de 40 galhos caíram nas regiões sul e central, causando prejuízos materiais - inclusive um carro ficou bastante danificado ao ser atingido por uma árvore.
Ano passado, a AMA recebeu cerca de 30 processos solicitando indenizações por danos provocados pela queda de árvores. Deste total, 12 autores das ações foram ressarcidos - alguns processos ainda estão em andamento. A autarquia não dispunha de informações sobre o valor total dos recursos utilizados em indenizações.
Maggi esteve ontem pela manhã em frente ao Colégio Mãe de Deus, na Rua Goiás, entre as avenidas São Paulo e Rio de Janeiro, onde o carro do motorista Erlon Mendes, 25 anos, foi atingido por um alfeneiro. A árvore estava podre por dentro; provavelmente porque sofreu uma poda errada, analisou Maggi.
Ele explicou que, mesmo estando bonita e verde, a árvore pode estar doente. Um exemplo é o alfeneiro que caiu em cima do carro. Por fora era bonito, mas estava praticamente oco por dentro, exemplificou. Na Goiás, entre as ruas São Paulo e Rio de Janeiro, praticamente todas as árvores estão comprometidas.
O presidente da AMA lembrou que as pessoas que sofreram danos materiais com queda de árvores e galhos podem entrar com um processo junto à autarquia para tentar o ressarcimento dos prejuízos. Os processos serão analisados pela Comissão de Análise de Danos (CAD), da autarquia.
É bom ressaltar que a prefeitura só responde pelas árvores que estão em locais públicos. Quando a árvore que provocar o dano estiver em área particular, a responsabilidade é do proprietário, ressaltou. Ele esclareceu, no entanto, que além do estado da árvore, a CAD leva em consideração a força dos ventos para definir se concorda ou não com o ressarcimento de eventual prejuízo.
Se acordo com Maggi, o problema de quedas de árvores será resolvido após a elaboração do Plano Diretor de Arborização. Ele informou que o plano vinha sendo realizado lentamente por falta de estrutura física e humana, mas será agilizado. A situação é preocupante e não podemos mais esperar. Vamos realizá-lo nem que precisemos contratar uma empresa para isso, garantiu Maggi. Além de retirar as árvores doentes, a AMA vai substituir árvores inadequadas por espécies próprias para áreas urbanas.
Maggi pede a compreensão da comunidade. Cada vez que vamos derrubar uma árvore a comunidade se mobiliza. As pessoas precisam entender que tudo que fazemos é baseado em estudos e avaliação prévia da saúde da árvore, diz. O programa de arborização vai ser feito gradativamente para não provocar danos ambientais.


