Árvores do Passeio já estão sendo catalogadas
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terça-feira, 22 de julho de 1997
Elisa Marilia 
Curitiba
Albari RosaCentenáriasEstima-se que haja cerca de 2 mil árvores no Passeio Público, muitas delas com mais de um século de existência. O programa de identificação das condições de cada uma já apontou que 70% delas estão com os dias contados, ameaçadas por parasitas ou pela própria idadePela primeira vez em sua história, o Passeio Público de Curitiba terá todas as suas árvores cadastradas e submetidas a uma análise de longevidade. O trabalho, que está sendo desenvolvido numa parceria entre a Secretaria Municipal do Meio Ambiente, o departamento de Engenharia Florestal da Universidade Federal do Paraná e a administração do Passeio Público, vai resultar em uma verdadeira radiografia ecológica.
Algumas das árvores são mais antigas do que o próprio parque, que existe há 111 anos. Em uma contagem geral, estima-se que existam 2 mil árvores na área de 70 mil metros quadrados ocupada pelo Passeio. Setecentas e cinquenta já foram catalogadas pela equipe da UFPR.
A metodologia aplicada para medir as árvores e fazer a avaliação do tronco, da cúpula, da vitalidade e da expectativa de longevidade é a mesma utilizada pela Sociedade Internacional de Arboricultura.
Albari RosaOs técnicos medem o tronco e avaliam a longevidade de cada árvoreOs técnicos calculam que cerca de 70% das árvores do parque estejam seriamente ameaçadas. O problema mais sério é o ataque de uma planta parasita conhecida como erva-de-passarinho. Vários plátanos, canforeiros e cazuarinas estão comprometidos, ou pela idade ou pelos parasitas.
O carvalho que foi plantado no local pelo ex-presidente da Província do Paraná, Visconde de Taunay, está totalmente sem vida e com os galhos cortados. Os galhos podres podem cair e atingir quem estiver por perto. As pessoas não entendem que as árvores - como todos os seres vivos - têm seu ciclo de vida e precisam ser repostas, destaca o diretor do Passeio Público, Luiz Roberto Francisco.
A partir da análise das condições de cada árvore, serão propostas ações individuais de manejo. O pesquisador da UFPR Antônio José de Araújo, coordenador do programa no Passeio Público, diz que o projeto não vai se ater somente aos aspectos vegetais, mas também incluir os frequentadores do local. Através de um questionário, vamos descobrir expectativas, anseios e atitudes das pessoas em relação às árvores, afirma.


