Árvores do Bosque têm 'funeral'
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segunda-feira, 14 de novembro de 2011
Vítor Ogawa <br> Reportagem Local
Londrina - Cerca de 70 pessoas se reuniram na tarde de ontem no Bosque Marechal Cândido Rondon, área Central de Londrina, para realizar um funeral simbólico das 17 árvores retiradas do local pela prefeitura de Londrina. Os manifestantes trouxeram vários crucifixos, flores e velas e colocaram no espaço onde antes haviam árvores e mesas utilizadas por idosos para jogos.
O grupo, denominado Ocupa Londrina, foi formado pela internet e se mobilizou contra a derrubada das árvores ocorridas na última sexta-feira. O município justificou a ação alegando que cumpre parte das recomendações do projeto do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), que prevê a liberação da Rua Piauí para devolver ao local um terminal de ônibus.
''São pessoas indignadas com essa reforma que a prefeitura está fazendo'', afirmou a cantora Gisele Almeida, integrante do movimento. Ela destacou que o movimento foi inspirado nas manifestações populares constituídas por integrantes anônimos e apartidários que têm acontecido no mundo inteiro que questionam decisões políticas que contrariam a vontade da população.
Segundo Gisele, várias áreas verdes estão abandonadas pelo poder público e a manifestação visa também conscientizar a comunidade sobre sua responsabilidade perante esses espaços.
Para o assessor de imprensa do movimento, Guto Rocha, não há motivos que justifiquem a volta de um terminal de ônibus no local. ''Estamos na contramão da história. Se retiraram os ônibus do Bosque, foi por algum motivo'', declarou.
O biólogo Marcelo Arasaki, de 27 anos, destacou que a preservação das árvores no Bosque é importante para ajudar a regular a temperatura, a permeabilidade do solo e impede que a água caia diretamente na galeria pluvial. ''Essa manifestação questiona a redução das áreas verdes que são um patrimônio social e ambiental da comunidade'', afirmou.
A funcionária pública Maria Helena Ribeiro Bueno, de 49 anos, e a professora Teodora Guimarães, de 69 anos, denunciaram que a derrubada de árvores não se restringe apenas ao Bosque. ''Perto da minha casa derrubaram duas árvores sadias e tentamos chamar a Polícia Ambiental e a Secretaria Municipal de Ambiente, mas ninguém impediu'', relata.
Os manifestantes também circularam durante a manhã pela feira livre no Centro da cidade coletando depoimentos de pessoas a respeito da erradicação das árvores do Bosque. ''Eles nos apresentaram que ouviram cem pessoas antes de realizar a derrubada das árvores, então, decidimos coletar nosso próprio levantamento e, até agora, as pessoas têm sido contra a derrubada das árvores'', relata a estudante de Artes Visuais Gisele Strapasson, de 25 anos.
O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) notificou na sexta-feira a Secretaria Municipal de Ambiente (Sema) de Londrina, a Secretaria Municipal de Obras e o Ippul para prestar esclarecimentos sobre o corte indevido de árvores do Bosque. Segundo a assessoria de imprensa do órgão, não houve solicitação para a retirada das 17 árvores nativas do local e foram convocados a prestar esclarecimentos sobre o assunto na quarta-feira, às 9 horas, no escritório regional do IAP.
A prefeitura também não teria cumprido a portaria 225 de outubro de 2011 do IAP, que determina a publicidade dos requerimentos, ou seja, os pedidos autorizados devem ser publicados no Diário Oficial do Município e em jornais de circulação local.