Árvore é erradicada para revitalizar Bosque
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quarta-feira, 09 de abril de 2008
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
Duas árvores do entorno do Bosque Central, na Avenida Rio de Janeiro, foram cortadas na manhã de ontem pela Secretaria Municipal do Ambiente. A medida foi criticada por ambientalistas. A justificativa do poder público é que o exemplar foi retirado porque um portão será construído no local e a árvore estava desalinhada.
Uma fonte que preferiu ter a identidade mantida em sigilo informou que a árvore era usada para coleta de sementes. A espécie Guarea kunthiana é nativa e está sendo plantada em ruas de um conjunto da Zona Norte de Londrina. Como as sementes não estariam ''granadas'', é provável que muitas não sejam mais aproveitáveis.
De acordo com o secretário do Meio Ambiente, Gérson da Silva, apesar da árvore não estar condenada, a copa dela estava desfigurada. Ele disse ainda que dois ipês amarelos serão plantados no local. ''Com isso será possível fazer a revitalização da quadra de esportes e do playground. A retirada dessa árvore era necessária para viabilizar a obra pública'', justificou. A reforma, acrescentou ele, visa a acessibilidade da área.
A estimativa é que o exemplar tivesse entre 15 e 20 anos de existência e o tronco mostra que ainda era de boa qualidade. Mesmo a presença de uma praga chamada Erva de Passarinho no tronco não comprometia a árvore.
Para o coordenador da organização não-governamental Tudo Verde, Pablo Melo, é importante que seja cumprida a obrigação de repor o exemplar erradicado. Um estudo da entidade, baseado em dados da própria Secretaria Municipal do Ambiente, mostra que de cada quatro árvores cortadas em Londrina, apenas uma é replantada. A estimativa é que a cidade perca 1,5 mil árvores por ano, incluindo os cortes clandestinos.
Para reverter esse quadro, o Conselho Municipal do Meio Ambiente, do qual Melo é integrante, deve promover duas iniciativas: um projeto de georeferenciamento de todas os exemplares da cidade e uma resolução que obrigue o poder público a fiscalizar o cumprimento dos Termos de Ajuste de Conduta (TAC) que determinam o replantio.
Segundo Melo, o descumprimento desses termos resultam na perda de até 1,5 mil árvores por ano na cidade. Um forma de fiscalização é o Projeto RG da Árvore, que catalogou todos os exemplares da Rua Paranaguá, na Área Central de Londrina. ''Curiosamente, nos últimos seis meses nenhuma árvore foi retirada da Paranaguá'', declarou o coordenador da Tudo Verde.


