Artistas esmagam 246 mil CDs piratas
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segunda-feira, 29 de março de 1999
Valmir Denardin 
Apoiadas pelo marketing de artistas de sucesso, a Receita Federal e a Associação Protetora de Direitos Intelectuais Fonográficos (APDIF) promoveram ontem, em Foz do Iguaçu, a maior destruição de CDs pirateados já feita no Brasil. Foram esmagados por um rolo compressor 246 mil CDs de artistas brasileiros, apreendidos na fronteira Brasil-Paraguai, a principal porta de entrada dessa mercadoria no País.
Netinho, líder do grupo de pagode paulista Negritude Júnior, Reinaldo, vocalista do grupo de música baiana Terra Samba, e Zeca Baleiro, compositor e cantor maranhense, participaram da operação, que se transformou em um ato contra a falsificação. Entre os CDs, estavam 250 mil unidades do Negritude Júnior.
Só aqui, perdemos um disco de platina, disse Netinho, referindo-se ao troféu dado pela indústria fonográfica a artistas que atingem a vendagem de 250 mil cópias. Com sete discos lançados, o grupo já superou a venda de 3 milhões de discos.
Segundo o advogado Márcio Gonçalves, secretário-executivo da APDIF, a venda de CDs falsificados aumentou 1.000% entre os anos de 1997 e 98 - passou de 3 milhões de unidades para 30 milhões. Isso significa que 30% dos CDs vendidos no Brasil no ano passado eram pirateados. O prejuízo da indústria fonográfica chegou a US$ 500 milhões.
Enquanto um disco original é vendido em lojas por uma média de R$ 20,00, camelôs oferecem o mesmo produto falsificado por até R$ 3,00. De acordo com a APDIF, a falsificação não ocorre no Brasil, mas em países do sudeste asiático - principalmente China, Macau, Hong Kong e Tailândia. O custo de produção por unidade nesses países é de aproximadamente US$ 0,50 (aproximadamente R$ 0,90). Sexto maior mercado mundial de discos, o Brasil é o segundo no consumo da pirataria. Perde apenas para a Rússia.
Metade dos CDs piratas vendidos no Brasil entra no País pela fronteira com Ciudad del Este (cidade paraguaia na fronteira com Foz do Iguaçu), afirmou Gonçalves. Isso significa que, apenas em 98, 15 milhões de unidades falsificadas cruzaram a Ponte da Amizade. O restante entrou por portos, aeroportos e outras fronteiras.
Dos 246 mil CDs destruídos, 206.350 foram recolhidos na maior apreensão do gênero já realizada no Brasil, em dezembro de 97, no Aeroporto de Foz do Iguaçu. O restante é a soma de outras apreensões isoladas, também na fronteira. O material foi esmagado por um rolo compressor, na sede da Delegacia da Receita em Foz do Iguaçu.


