Artista plástica espera rim há 14 anos
A espera por um órgão compatível para doação pode transformar-se num verdadeiro martírio para os pacientes renais crônicos. Principalmente para quem está há muitos anos na fila, como Cláudia Gheller, 39, moradora da Zona Sul de Londrina. A artista plástica e pedagoga, que já passou por um transplante em 1989, convive com o problema há 14 anos.
A expectativa pelo transplante de rim é constante. Ela precisa estar preparada o tempo todo para ir às pressas ao hospital. ''Já perdi as contas de quantas vezes fiquei de sobreaviso'', afirma. A mais recente foi na semana passada. E o pior é que cada alerta não aproveitado pode significar horas e horas de preparo, em vão.
A situação incômoda levou o casal a fundar, em 1997, a Associação dos Renais Crônicos de Londrina e Região (Arenalon). A sede, localizada no Jardim Bourbon (Zona Leste), foi construída em terreno doado pela administração municipal e com dinheiro obtido através de bazares de mercadorias apreendidas pela Receita Federal.
O local serve de moradia para uma paciente carente. A Associação reúne 700 renais crônicos de Londrina e região, com 200 pessoas sendo atendidas constantemente. Na cidade, três clínicas fazem o serviço de hemodiálise.
O marido de Cláudia e vice-presidente da Arenalon, o engenheiro Elizeu Gheller, 43, revela que a maior parte dos pacientes são carentes e ''não têm noção sobre os próprios direitos.'' A Associação, segundo ele, também é responsável por brigar pelo restabelecimento das constantes interrupções de medicamentos por parte do governo.
Para Gheller, o ritmo de doações de órgãos no País é cíclico. Quando a imprensa fala no assunto, o número de doações cresce. É o resultado da conscientização em massa, coisa que a própria Associação procura fazer. Só que, obviamente, em menor escala.
''Organizamos e damos palestras, promovemos encontros de casais. Por isso, os meios de comunicação têm tanta importância na divulgação da importância da doação de órgãos'', avalia Gheller.
A Arenalon vive de doações e distribui medicamentos e cestas básicas. Os donativos também podem ser feitos através de débito automático na conta de luz.
Serviço - Os interessados em ajudar podem entrar em contato com o presidente Luiz Carlos Donner, pelo (43) 3356-5536, ou Elizeu Gheller, pelo (43) 3337-5497.





