Artista plástica busca filho desaparecido
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sexta-feira, 20 de julho de 2007
Vanessa Navarro<BR>Reportagem Local 
Será que ele está se alimentando direito? Será que tem frio? Será que emagreceu? De todas as perguntas que poderiam atormentar a mãe de um jovem desaparecido, a artista plástica Bia Moreira, 48 anos, só não se permitiu pensar em uma: será que ele está vivo? ''Tenho certeza que está. Não aceito outra notícia que não a do paradeiro dele.''
O estudante universitário Rhuanitto Diego Lupércio Moreira Martins Vaz, 23 anos, caçula dos cinco filhos de Bia, sumiu em 11 de dezembro do ano passado, em Londrina. Desde então, já foram 8 mil quilômetros de uma busca alimentada por pistas, em geral, pouco concretas. A mais importante foi deixada pelo próprio jovem: no dia seguinte ao seu desaparecimento, ele ligou para a mãe de um telefone público em Guaratuba, Litoral paranaense, avisando que não voltaria para casa.
Seria apenas a escolha de um adulto se Rhuanito não fosse, segundo a mãe, dependente químico e portador de esquizofrenia. Ele ''fugiu'' justamente quando se encaminhava para uma clínica psiquiátrica em Vera Cruz, região de Marília (SP). ''Ele fazia consultas quinzenais naquela cidade, porque não encontramos tratamento aqui em Londrina. Confiei de deixá-lo viajar sozinho'', arrepende-se Bia. Ela acredita que o filho tenha entrado em surto psicótico, o mesmo estado que o levou a dois meses de internação em 2005.
Foi o que a artista plástica explicou à Polícia Civil de Londrina, certa de que conseguiria ajuda para buscar o rapaz. Ao invés disso, segundo ela, o delegado que a atendeu - o nome não foi mencionado - respondeu com descaso que ''doente não pega ônibus'' e que a polícia não podia fazer nada a respeito. ''Na minha cidade, onde pago impostos, não fui atendida. Consegui apoio na DVC (Delegacia de Vigilância e Capturas), em Curitiba, e de alguns delegados no Litoral. Mas veja a deficiência do sistema: um preso perigoso consegue um avião para ir a uma audiência, enquanto nós não temos uma impressora colorida, um sistema interligado dentro de uma delegacia'', reclama.
Sozinha, Bia descobriu que o filho passou uma noite de dezembro num albergue em Paranaguá. A partir daí, varreu as praias do Paraná e Santa Catarina, onde espalhou milhares de panfletos. Com a fama conquistada com revistas do tipo ''faça-você-mesmo'' e participações em programas de TV, a artista plástica conseguiu apoio de brasileiros de várias partes do País e até comunidades no Orkut na busca por Rhuanitto. Recebeu diversos telefonemas de pessoas que o teriam visto e checou todas as dicas; nenhuma se comprovou. A última suposta aparição do jovem foi na cidade portuária de São Francisco do Sul (SC), onde estaria catando latinhas na beira da praia.
Vício - Tão forte como a esperança de reencontrar o filho é a certeza que Bia tem sobre a origem de todo o pesadelo: a maconha. Com o respaldo da equipe que tratava Rhuanitto, a mãe garante que o uso da droga desencadeou a esquizofrenia, os surtos e o sumiço. ''O médico disse que era a pior droga, porque ela engana. Não mata, mas degenera. Tem gente que defende sua liberação com uma imagem errônea de que é 'normal'. Não existe droga inofensiva, eu sei disso agora'', testemunha.
O primeiro contato do jovem com a maconha, conta a mãe, foi aos 15 anos, num colégio agrícola do interior de Minas Gerais. Em Londrina, ele teria feito amizade com um grupo que fumava a erva com frequência. Depois de seis anos de um vício que, segundo Bia, não se estendeu para outras drogas, Rhuanitto teria decidido parar de uma vez só. ''O organismo dele não aceitou. Ficou naquela fissura, desesperado, e teve que se internar. Foram só dois meses, mas depois veio a depressão'', recapitula.
Mesmo com os altos e baixos, o rapaz fazia faculdade de Economia até o ano passado e ''era muito querido'', frisa a artista. Divorciada e mãe de cinco filhos, ela admite que a falta de atenção familiar pode ter facilitado a atração do caçula pela droga. ''Meu trabalho toma tempo integral. Mas já decidi: quando meu filho voltar, vou me internar junto com ele'', promete. Ontem, Bia estava, mais uma vez, viajando pelo Litoral atrás de pistas do filho. ''Eu me abati, mas nunca perdi a fé.''
Serviço - Quem tiver informações sobre o paradeiro de Rhuanitto pode ligar para os seguintes números: (43) 9144-6462, (43) 3345-0351 ou (43) 3345-2727


