VIROU MEME -

Artista de Museu de Rolândia fala sobre repercussão das imagens de cera

O autor das estátuas em tamanho natural, que viralizaram nas redes sociais, garante não se importar com as brincadeiras

Pedro Marconi - Grupo Folha
Pedro Marconi - Grupo Folha

 

Artista de Museu de Rolândia fala sobre repercussão das imagens de cera
Isaac Fontana/FramePhoto/Folhapress
 


Dois mil e vinte e um mal começou, mas já teve o seu primeiro meme decretado. E ele está mais próximo do que muita gente do Norte do Paraná imagina. São de Rolândia (Região Metropolitana de Londrina) as imagens de cera representando figuras famosas que estão rodando todo o País. Nos últimos dias, vídeo produzido em 2015 para o canal da FOLHA no YouTube, a partir de uma reportagem do jornal, viralizou nas redes sociais.


A matéria trata da inauguração do museu de cera rolandense, na época, localizada na Igreja Matriz. Mas o que chamou a atenção dos internautas e fez com que dezenas de sites reproduzissem a gravação foi a aparência das esculturas. O debate instalado no mundo da internet é sobre a aparência e semelhança das cópias em relação aos homenageados. Entre as esculturas estão Marilyn Monroe, Elvis Presley, Santos Dumont, Mahatma Gandhi,  papa João Paulo II, Rainha Elizabeth, Hebe Camargo e Ayrton Senna.



O autor das peças é o artista plástico e empresário Arlindo Armacollo, 77, que garante não se importar com as brincadeiras, algumas desrespeitosas. "Não estou nem aí. Se tivesse feito para ganhar dinheiro, poderia pensar que iria me prejudicar. Mas não fiz para isso e sim para a cidade e porque gosto", avisou.



 

Além das obras de cera, museu tem quadros, vasos e outros trabalhos do artista: "O importante é que aqueles que vivem aqui gostaram"
Além das obras de cera, museu tem quadros, vasos e outros trabalhos do artista: "O importante é que aqueles que vivem aqui gostaram" | Isaac Fontana/FramePhoto/Folhapress
 



Inicialmente, as esculturas foram colocadas no mezanino da paróquia São José. Com a mudança de pároco, o local foi fechado e Armacollo resolveu levar a maior parte das obras para um espaço que estava construindo nas esquinas das avenidas Presidente Bernardes e Romário Martins, na área central. O prédio é inspirado na cultura germânica e recebeu ainda quadros, vasos e outros trabalhos do artista. Foi batizado de Museu de Artes Izidoro Armacollo, uma homenagem ao pai.


BAIRRISTA

Nascido em Rolândia, Armacollo afirma com orgulho que é "bairrista". Gosta de valorizar o município e sua história. Já na década de 1960 escreveu livretos sobre o desenvolvimento da cidade e começou a trabalhar com arte. Autodidata, fez alguns cursos para aperfeiçoar a técnica e aprofundar o aprendizado.

 

Artista de Museu de Rolândia fala sobre repercussão das imagens de cera
 


A partir dos anos 2000 resolveu esculpir as peças de cera. A escolha dos retratados foi pelo conhecimento das pessoas em geral e pelo que representam para a humanidade. Estão expostas 18, sendo a de Albert Einstein a que mais gosta.


A concepção das esculturas é a partir da altura do personagem e análise de fotos. "O que mais dá trabalho fazer é a expressão. A dimensão das pessoas, basicamente, é a mesma, como a distância entre o nariz e a orelha. Mas a expressão é única", explica. Como também cuida dos negócios, costuma criar nas horas vagas. Em média são 30 dias de dedicação para finalizar a peça.


As roupas sempre têm a ver com a pessoa; os dentes são prótese, os cabelos perucas e olhos importados. "São muitos detalhes", confessa. As esculturas são feitas com cera temperada, vaselina e óleo mineral. "Tem que colocar a cor, tudo tem a quantia correta. Corto em pequenos pedaços e com a mão vou amaciando para poder trabalhar. No final,  chamo uma cabeleireira para acertar o cabelo", conta.


 

Artista de Museu de Rolândia fala sobre repercussão das imagens de cera
 


SURPRESO 

O artista afirma que se surpreendeu com a repercussão e a rápida difusão das estátuas pelas redes sociais. "No ano passado um homem colocou na internet, falando mal peça por peça. Isso voltou a 'rodar' agora. Minha neta de 13 anos chorou, porque gosta daqui, do avô. Outras netas rebatem na internet. Disse para elas que nada acontece por acaso. Esse rapaz fez uma propaganda para nós que ele nem imagina."


O museu de artes foi inaugurado no começo do ano passado e está aberto à visitação, que é gratuita. Por conta da pandemia de coronavírus, os horários estão restritos, assim como o número de visitantes. As crianças são as que mais se encantam com o que encontram. Arlindo Armacollo diz que vai continuar criando e sempre procurando algo novo. "O importante é que aqueles que vivem aqui gostaram", frisa.


SERVIÇO - O Museu de Artes  Izidoro Armacollo fica na esquina das avenidas Presidente Bernardes e Romário Martins, funciona de quarta a sexta-feira, das 14h às 20h, e aos domingos, das 14h às 18h


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