Artista, copiador ou pintor de painel em paredes?
Paulo Ubiratan
De Londrina
Artista, copiador ou simples painelista pintor de paredes? É com este questionamento que Domingos Fidélis Cardoso Filho, 47 anos, convive. Ninguém o define como artista no pequeno espaço profissional em que ele atua para ganhar o pão de cada dia. Domingos começou como limpador de pincel e hoje pinta qualquer tipo de cartaz.
Desde 1968 ele trabalha no ramo. Se proclama autodidata porque nunca teve professor. No passar dos 31 anos de trabalho suas mãos retrataram os mais famosos artistas do mundo. A maioria dos londrinenses já viram seus painéis expostos nos cinemas Vila Rica, Londrina e, mais recentemente, nas cinco salas de exibições do Catuaí Shopping Center.
Acho que sou injustiçado em relação a minha profissão. Dizem que não faço arte porque não crio os personagenes que pinto. Gostaria imensamente que as pessoas que me criticam acompanhassem o meu trabalho. Somente assim poderiam analisar o que faço, desabafa Domingos.
Para defender a sua arte, ele mostra as cópias que faz das fotos que recebe referentes às cenas dos filmes que serão exibidos nos cinemas.
Domingos trabalha em um galpão localizado na garagem da Galeria Vila Rica, bem no centro de Londrina. No meio das tintas, começa a imaginar como vai dar início a um novo painel. Em determinados lançamentos de filmes, Domingos é obrigado a produzir um cartaz em menos de um dia, o que não permite que ele nem ao menos possa fazer um esboço ou projeto.
O maior cartaz que Domingos produziu foi para o filme King Kong, com 16 metros quadrados. As estrelas que teve mais dificuldades para retratar foi Bo Derek, no filme Mulher Nota Dez; Roger Moore (James Bond), em 007 Contra o Foguete da Morte, e Sharon Stone e Tom Berenger, na cena de sexo do filme Invasão de Privacidade.
Eles (os artistas mencionados) tem expressões muito fortes. Tornam-se difíceis de desenhar em grandes cartazes, porque reproduzo suas imagens de um pequeno postal fotográfico que as distribuidoras de filmes me fornecem. O postal, segundo Domingos, esconde os detalhes que devem aparecer quando a imagem é aumentada.
Quanto à polêmica sobre a sua profissão, Domingos diz que se ele não pode ser chamado de artista o fotógrafo também não deve ser assim classificado. É com muita convicção que ele alega que suas pinturas são muito mais artísticas do que uma fotografia, que é feita com uma máquina. Eu uso apenas as minhas mãos para traçar as imagens que faço e isso precisa de técnica e de muita criatividade artística. Por isso sou um artista.Domingos Fidélis Cardoso Filho produz cartazes de filmes que são exibidos nos cinemas de Londrina desde 1968. Ele se diz um artista
Milton DóriaDE ONDE SAEM OS CARTAZESDomingos Fidélis Cardoso Filho, no galpão onde trabalha: latas de tinta e muita criatividadeArquivo PessoalCartaz para o filme Invasão de Privacidade, com Sharon Stone e Tom Berenger: artistas difíceis de reproduzirArquivo PessoalTÍTULO REIVINDICADOKing Kong, o maior cartaz produzido por Domingos, com quatro metros de altura e quatro metros de largura: ampliado de foto de cena do filme fornecido pela distribuidora





