Arthur Thomas garante bom passeio
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quarta-feira, 23 de julho de 1997
Edmara Michetti Londrina 
Marcos BorgesPonto de partidaEntrada do parque Arthur Thomas: trilhas dentro da mata nativa escondem e revelam animais e plantas.Para conhecer todas as atrações do local, são necessárias pelo menos duas horas de caminhada Final de semana. Férias escolares. Dias ensolarados. Nada para fazer e aquela vontade de dar um passeio gostoso. Um daqueles passeios que satisfaça os filhos e não atormente os pais. A última peça desse quebra-cabeças é simples de encontrar: parque Arthur Thomas. Perfeito para quem pretende relaxar, o parque também é uma opção de passeio daquelas que dispensam dinheiro. Mas não dispensam uma boa disposição: para conhecer toda a área é preciso estar preparado para duas horas de caminhada - no mínimo.
Localizado no jardim Piza (zona sul), o parque tem todo o espaço que as crianças querem, trilhas que escondem e revelam animais e plantas nativas, e até uma pequena cachoeira com queda de cerca de cinco metros, que pode ser apreciada mais de perto através de passarelas. Além, é claro, do lago com pedalinhos, que recepciona os visitantes e os separa dos segredos da mata que fica mais ao fundo. Explorado pela iniciativa privada, o pedalinho é a única atração paga do parque e só funciona nos finais de semana e feriados.
Explorar a mata através das trilhas pode trazer surpresas agradáveis. Além das várias espécies de pássaros, com um pouco de sorte, o visitante pode cruzar com bandos dos muitos macacos que vivem no local, pulando para todos os lados ou imóveis em um galho, atentos a qualquer movimento dos estranhos. A mata local também abriga capivaras. Poucas ainda resistem, já que a disponibilidade de comida não é grande, devido à pequena área de mata. Os macacos continuam numerosos porque além do que conseguem na mata, são alimentados pela Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) que administra o parque. E ainda há uma refeição extra, oferecida por vizinhos, que acabam tendo suas casas invadidas por grupo de símios.
Marcos BorgesCartão postalO lago do Arthur Thomas ocupa lugar de destaque: os pedalinhos,
explorados pela iniciativa privada, são a única atração pagaCriado em 1975, o parque tem hoje 85,47 hectares de área. Antes disso, funcionava no local a primeira usina hidrelétrica de Londrina, inaugurada em 8 de fevereiro de 1939. Pelo local passa o ribeirão Cambezinho, formado por seis córregos (Piza, Monjolo, Bem-Te-Vi, Carambeí, Pica-Pau e Tico-Tico). A maioria desses córregos nasce no próprio Parque. A produção da Usina era de 200 quilowatts de eletricidade, quantidade suficiente para abastecer a iluminação de cinco quarteirões. A usina foi desativada em 10 de outubro de 1967. Oito anos depois, a Companhia de Melhoramentos Norte do Paraná, então dirigida por Gastão de Mesquita Filho, decidiu doar a área ao município para preservação. No final da administração do prefeito José Richa (1972-76), passou a ser ofertada como lazer à população. Também no mandato de Richa começou a ser instalado um minizoológico, desativado há alguns anos.
Outra atração que está, momentaneamente, fora do alcance dos visitantes do parque é o Museu da Usina. O presidente da AMA, Nélson Takeo Kohatsu, afirma que o museu teve que ser fechado por causa do vandalismo. A população precisa se conscientizar para não quebrar e roubar mais o que temos no museu, pede. Aquelas peças não servem para nada fora dali e ninguém compra. Segundo Kohatsu, não existe prazo previsto para o Museu ser reaberto ao público. Isso, afirma ele, vai depender da disponibilidade de recursos para fazer a reforma e manutenção.
A manutenção de todo o Parque é garantida por uma equipe de 35 funcionários. Outro grupo de cerca de 35 funcionários cuida de um viveiro de plantas cultivado no local e que serve para a reposição de mudas em praças e jardins públicos. Visitantes não têm acesso ao viveiro. Kohatsu não soube informar os valores totais gastos com a manutenção do parque. Mas afirma que, só em pessoal, a AMA gasta cerca de R$ 21 mil mensais.
Paulo Wolfgang/Arquivo FolhaAberto para visitação de terça-feira a domingo, o maior movimento do parque é registrado nos finais de semana. Sem números precisos, Kohatsu estima que nos sábados e domingos a frequência no local sobe em cerca de 30%. Em julho, segundo números da AMA, 2 mil pessoas visitaram o parque. No ano passado, foram registradas 100 mil visitas. A expectativa, segundo Kohatsu, é aumentar esses números entre 50% e 70% esse ano, com um trabalho de divulgação do parque dentro do turismo ecológico e incentivo de programas de educação ambiental. No começo de julho uma caravana de estudantes de Assis (SP) esteve no local desenvolvendo atividades ecológicas. No Arthur Thomas funcionam a AMA, a Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento e a sede da Polícia Florestal.


