Cidade Gaúcha - Tudo começou no final da década de 1980, quando, por iniciativa de uma professora de Artes que estava prestes a se aposentar, um grupo de artesãs de Cidade Gaúcha (80 km a nordeste de Umuarama) se reuniu para uma exposição de seus trabalhos manuais. De lá pra cá, as mulheres nunca mais pararam de produzir. O artesanato é fonte de renda para as 22 associadas que antes tinham o artesanato apenas como um passatempo. Os negócios prosperaram tanto que elas vendem até para o exterior. A Associação de Artesãs de Cidade Gaúcha (Arteciga) foi fundada oficialmente em 2004 e é motivo de orgulho para os moradores da cidade de 10 mil habitantes.
Um dos segredos é um uso de corantes naturais, extraídos de plantas e sem aditivos químicos. Com o produto elas tingem echarpes, lenços, saídas de banho e muitas outras peças. ''Sempre tivemos o foco de trabalhar com a natureza, com o que vem da terra e esse trabalho encantou as pessoas de fora, principalmente os italianos'', comenta a presidente da Arteciga, Cleide Ferreira Matos.
''Quando um consultor do Sebrae esteve em Gaúcha prestigiando a exposição de nossos artigos, ele ficou encantado com o corante natual e nos informou que se trabalhássemos com esse foco daríamos certo'', contou. Foi a partir daí que o grupo começou a receber apoio do Sebrae com cursos profissionalizantes.
A artesã Ana Ruth Ferreira, 43 anos, que reside em Gaúcha há 15 anos, produzia peças em tricô e crochê para ajudar na renda familiar, mas conta que tinha dificuldade para vender. ''Às vezes que eu vendia umas peças baratas, de R$ 10, e mesmo assim levava mais de um mês para receber. Hoje aqui na Arteciga eu tenho uma periodicidade de produção e gostei muito do trabalho'', disse.
O trabalho de Ana Ruth na associação é justamente o de extrair as cores das plantas e tingir os tecidos. ''Me dei muito bem com esse processo e peguei o jeito rapidinho. A gente passa a conhecer as plantas e ver que de quase todas é possível extrair algum tipo de cor'', disse.
A renda da Arteciga é dividida entre as mulheres por quantidade de horas trabalhadas. Cada uma das arte sãs ganha, em média, R$ 250 por mês, valor esse que deve aumentar nos próximos meses com a expansão da atividade. Segundo a presidente, desde janeiro de 2007 a associação produz vestuários e tinge tecidos para a Itália. ''Estamos estudando a possibilidade de também enviar nossos tecidos para Japão, Chile, Estados Unidos e Espanha''. disse Cleide.

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