Artesãos são despejados do Cereal
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sexta-feira, 04 de maio de 2007
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
Os artesãos que ocupavam o imóvel do Centro de Referência do Artesanato de Londrina (Cereal), na Avenida Rio de Janeiro (Área Central de Londrina), deixaram o prédio ontem de manhã, cumprindo determinação judicial. Eles são alvos de uma ação de despejo por falta de pagamento do aluguel, água e luz. Na hora de receber a ordem judicial, entregue pelo oficial de justiça José Chagas, houve um clima de revolta e tensão entre os artesãos.
Segundo a advogada do proprietário do imóvel, Helena Rosa Tondinelli, o aluguel do espaço está atrasado desde fevereiro de 2006. Além disso, outras despesas como água e luz, ''que também foram acumulando'', totalizam uma dívida de cerca de R$ 150 mil, que, segundo ela, serão cobrados da prefeitura. ''Foi combinado que a Codel passaria a verba para os artesãos e que eles pagariam. A prefeitura participou de todas as negociações e no contrato consta um adendo da prefeitura. Portanto, vai ser da prefeitura que o proprietário vai cobrar. O dono do imóvel já foi imensamente prejudicado com tudo isso'', disse.
A ordem de despejo, dada pela juíza Cristiane Tereza Willy Ferrari, da 9 Vara Cível da Comarca de Londrina, foi assinada no começo do mês passado e estipulava um prazo de 15 dias para os artesãos deixarem o local. Ao todo, cerca de 40 pessoas ocupavam o centro, criado em 2003 para abrigar os trabalhadores que vendiam suas mercadorias nas praças Marechal Floriano Peixoto e Rocha Pombo, ambas na Área Central. Outras ONGs de artesãos também se juntaram ao empreendimento.
Enquanto desmontava o espaço onde trabalhava, Luis Carlos Rodrigues se queixava da situação. ''A prefeitura não honrou com a palavra dela. Tirou a gente da rua e disse que poderíamos trabalhar aqui. São 40 pais de famílias que precisam trabalhar. Agora vamos ter que voltar para a rua'', comentou.
Roberto Rodrigues de Morais, artesão que trabalha desde 1982 nas ruas da cidade, também estava no local. Ele disse que continuará trabalhando em frente ao imóvel. ''Pagamos o alvará que nos permite trabalhar aqui neste endereço. Vamos ficar por aqui. Como é que a gente vai se defender? Precisamos continuar trabalhando'', disse.
O presidente do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Idel), Mauro Viecili, disse que o acordo com os artesãos já havia sido desfeito no começo do ano passado e salientou que a prefeitura ''não tem mais nada a ver com isso''. ''Existe uma dívida de R$ 20 mil que os artesãos precisam devolver ao município. Eles não estavam pagando as contas'', disse.


