Os artesãos instalados em frente à Biblioteca Pública de Londrina, na rua Rio de Janeiro, querem voltar para a praça Marechal Floriano Peixoto (ou praça da Bandeira, como também é conhecida). Pelo menos é o que diz Israel Uctha, que há sete anos produz e vende desde cintos, pulseiras, colares, porta-incensos, porta-isqueiros, até mandalas - objetos de inspiração esotérica que podem ser transformados em várias formas, cada uma com significação específica.
Uctha explica que depois que as novas barracas foram inauguradas, dois meses atrás, eles saíram das escadarias e comercializavam seus produtos no corredor da praça. Mas há três semanas, segundo ele, o pessoal da Companhia Municipal de Urbanização (Comurb) pediu que eles saíssem de lá e ficassem, provisoriamente, em frente à Biblioteca. Hoje são cinco artesãos que trabalham no local em três barraquinhas.
‘‘Lá na praça a gente não estava incomodando ninguém, o lugar ocupado era mínimo. Então a gente ficou meio triste’’, afirma o artesão. A bronca maior, segundo ele: a praça é o lugar ideal para feira de artesanato. Mas o que mais se vende lá, com as novas barracas, são produtos industrializados. ‘‘Em todo lugar do Brasil tem um lugar para artesão expor. Aqui não, só tem para camelô.’’
Outra reclamação é que, embora não exista lugar para eles na praça, algumas barracas estão vazias e alguns comerciantes são donos de mais de uma. ‘‘E depois que as barracas foram inauguradas, começou a aparecer gente que não era de lá e mesmo assim conseguiram ficar.’’ O artesão reclama também que tem dificuldades em dialogar com a Comurb e que há muito tempo tenta regularizar a situação, através de alvará, mas até agora nada conseguiu além da licença verbal e temporária.
O diretor da Comurb, Alexandre Cordeiro, confirma que a Companhia permitiu que os artesãos ficassem em frente à Biblioteca enquanto não houver uma solução definitiva para o caso. ‘‘São poucos, quatro ou cinco, e que realmente produzem artesanato autêntico. Estamos estudando um local mais adequado.’’
Segundo Cordeiro, a associação que representa os barraqueiros é contra a permanência dos artesãos no local e esse foi um dos motivos para que eles saíssem da praça. ‘‘Acho também que ali é meio complicado, porque o espaço é muito reduzido. Mas não descarto a possibilidade’’, observa.
O presidente da Comurb afirma também que a companhia está aberta ao diálogo, sempre que necessário. Ele observa que o próprio secretário de Cultura do Município, Alcides Carvalho, intercedeu em favor dos artesãos.

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