Artesãos querem voltar à Osório
Dezoito artesãos que trabalham na Praça Osório, em Curitiba, completam hoje oito dias sem serviço. Eles protestam contra a proibição imposta pela fiscalização da Prefeitura desde que uma feira de produtos caseiros de Natal tomou conta da praça. Os artesãos dizem que já contrataram um advogado na tentativa de garantir seu espaço no local.
De acordo com os trabalhadores, é a primeira vez nesta época do ano que a Prefeitura impede que eles continuem na praça. Todo ano a gente enfretava uma barreira, mas sempre acabavam liberando. Só que agora tudo mudou, diz o artesão Valdir Gomes. O grupo de artesãos quer oficializar a denúncia no Ministério Público, pois reclama que estão tendo prejuízos com os dias parados. Em média, ganham de R$ 10,00 a R$ 15,00 por dia.
Trabalhamos aqui há sete anos e nunca atrapalhamos os transeuntes, afirma o artesão Miguel Emílio Klutchcouski. Os artesãos da Praça Osório, que há três meses fundaram a Associação Regional Cristã de Artesanato (Arca), tentaram negociar a permanência na praça com a Urbs, Secretaria de Indústria e Comércio e Secretaria de Urbansimo. Não houve avanço e os artesãos tiveram de recolher seus produtos na semana passada para evitar apreensões.
Erisvaldo Santos Ribeiro conta que o grupo não conseguiu espaço em outras feiras itinerantes. Estamos sendo discriminados, lamenta. A gerente de apoio ao artesanato da Secretaria Municipal da Indústria e Comércio, Cristiane Fonseca Ribeiro, diz que os artesãos terão de se organizar melhor se quiserem continuar a trabalhar nas praças da cidade.
Cristiane Ribeiro antecipou que o retorno dos artesãos à Praça Osório será muito difícil. Ela justificou que após o final da feira a praça será reformada e por causa disso afirmou não ter meios para autorizar que os artesãos dividam espaço com as barracas da Feira de Natal. Eles não estão regularizados e a Prefeitura liberou apenas para uma feira de produtos natalinos, alega.
Acho difícil conseguirem espaço na Osório. Os artesãos têm de se organizar e pedir uma outra praça. Temos que descentralizar as praças e ir para os bairros, não adianta pegar apenas o filé mignon, defende Cristiane. O advogado dos artesãos, Guilherme Gonçalves, prepara um requerimento a ser enviado para a Secretaria da Indústria e Comércio, lembrando que em 1989, a Prefeitura, sob o comando de Jaime Lerner, baixou um decreto para incentivar a atividade artesanal em Curitiba.





