Um passeio pelo Calçadão, área central de Londrina, nas manhãs de domingo pode render mais que uma descontraída caminhada. Barracas com artesanato, roupas, bolsas, bijuterias acessórios, objetos de decoração e ainda doces, pães, massas e geléias tomam conta de quase toda a extensão do Calçadão. É a Feira do Feito a Mão que, no período das 9 às 14 horas se coloca como uma boa opção para quem procura novidades e presentes originais.
Instalada desde junho, a feira vem a cada semana aumentando o número de barracas, variedade de produtos, e conquistando novos clientes. Como é o caso das artesãs Caroline Lourenço, que trabalham com bordados e bolsas; e Elza do Rocio Siqueira, que oferece peças em madeira. Ontem, elas, como vários outros artesãos instalados entre as avenidas São Paulo e Rio de Janeiro, participavam da feira pela primeira vez e não escondiam as expectativas. Caroline já participou de outros eventos e gosta da oportunidade de venda que o espaço oferece. ''Não temos custos e isso nos dá mais condições de expor nosso trabalho''.
''Queremos atingir aqui o mesmo status da Feira do Largo da Ordem'', diz o artesão Luiz Carlos, referindo-se à famosa feira de artesanato que ocorre há mais de 30 anos no Centro Histórico de Curitiba. Em seu ponto de venda, o artesão oferece diversas e criativas opções de bonecos de porta. Apesar da pretensão, ele reclama que o movimento é fraco e, como os demais feirantes, espera por melhoras no período das compras de Natal. ''O londrinense ainda não descobriu a feira''.
''O público é maior quando terminam as missas da Catedral'', completa o artesão Diego Unica Alcala. Ele trabalha com a arte da marcheteria ornamentando as tampas de caixinhas de madeira e pequenos baús. A técnica que utiliza é a ''taracea'' que, como explica, foi criada pelos árabes e dá mais requinte às peças. Além de ser um bom local de venda a feira, para ele, está promovendo também o respeito das pessoas pelo trabalho do artesão.
A artista Marly Raduy oferece belas opções em vasos, caixas, espelhos e até peças de mobiliário ornamentadas com a técnica dos mosaicos. ''Temos peças exclusivas e originais'' garante. Ela reclama que a feira é pouco divulgada e acredita que o local poderia ser ainda mais interessante se houvesse mais opções para o público, como barracas com refeições e ainda apresentações de músicos e artistas locais. ''A cidade possuiu grupos interessantes, como o do chorinho'', sugere.
As primas Geralda Rodrigues e Valéria Rodrigues Barbosa, moradoras das zonas norte e sul respectivamente, visitavam a feira pela primeira vez e admitem que não sabiam de sua existência. Elas vieram a procura de uma liquidação numa loja da cidade e, apesar de errarem o endereço, gostaram da novidade e compraram alguns acessórios.
A dona-de-casa Raquel Pereira, grávida de cinco meses, aproveitou o passeio para comprar algumas peças para o enxoval do primeiro filho. Na barraca da artesã Matilde Fonseca ela se encantou com as opções de casaquinhos, sapatinhos e mantas. ''Adorei tudo o que vi e já virei cliente'', brinca.
Já o pedreiro Isaías Pereira, morador na zona norte da cidade, veio com a família visitar a feira. Ele conhecia o local e trouxe a sogra Marfiza Ribeiro, que é de Marília (SP). ''São trabalhos bonitos e diferentes. Tá difícil segurar o desejo de compras das meninas'' , diz, referindo-se às filhas adolescentes, Pamela e Paola.

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