Um pequeno grupo de artesãos promoveu ontem uma manifestação em frente ao Cine Teatro Ouro Verde, no Calçadão (Área Central de Londrina). Eles reivindicam um espaço para comercializar os produtos, indefinido desde a reforma na Praça Floriano Peixoto, também na Área Central, onde eles trabalhavam. Policiais e agentes da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) tentaram retirar os artesãos do local, mas foram demovidos pelo comando da PM.
O grupo de cerca de 15 hippies se instalou em frente ao teatro por volta das 9 horas. Imediatamente, entraram em conflito com agentes da CMTU, que intensificou a fiscalização desde anteontem para coibir o comércio irregular. Um pano para exposição de material chegou a ser apreendido por um dos agentes. ''Eles estavam impedindo a passagem de pedestres'', justificou.
A apreensão desencadeou reações diversas entre os hippies. Alguns exigiam uma definição da CMTU quanto à escolha de um espaço. ''Participamos de reunião com representantes da prefeitura e da companhia antes das eleições e eles nos disseram que poderíamos ficar aqui até dezembro'', contou Marcelo Cuartero, um dos artesãos. Ele também reclamou das dificuldades para fazer o cadastro na Feira do Feito à Mão, promovida pela prefeitura aos domingos. ''Disseram que não há mais espaço, mas só vemos a feira aumentar''.
A tensão aumentou quando os hippies decidiram voltar a expor os produtos. Os agentes e policiais que acompanhavam a manifestação chegaram a pedir reforço à PM. No entanto, fiscais e policiais se retiraram logo depois, demovidos pelo sub-comandante do Pelotão responsável pela Área Central, tenente Nelson Villa. ''A princípio vamos permitir a permanência deles. Temos que manter a integridade física de todos e podemos esperar por um momento mais oportuno para a remoção''.
Um dos funcionários da CMTU, que não se identificou, reclamou da falta de atenção do poder público para o problema. ''Tentamos evitar o confronto ao máximo, mas estamos cumprindo ordens e ninguém da direção da companhia aparece para negociar com os artesãos'', reclamou.
O diretor de Trânsito e Fiscalização da CMTU, Álvaro Grotti Júnior, confirmou a autorização para que os hippies permanecessem em frente ao teatro. ''No entanto, eles já estão ocupando muito mais espaço do que o combinado e por isso deveriam ser retirados'', explicou. ''E não temos nada definido para o ano que vem, pois setores da administração devem mudar e não podemos tomar decisões sem saber como tudo vai ficar''.
Ele negou a suposta recusa em fazer o cadastro dos artesãos. ''Qualquer pessoa que apresentar seus produtos à CMTU para avaliação pode conseguir o cadastro. Garanto que não fomos procurados por este grupo'', disse. ''Combinamos a ocupação de um pequeno espaço em frente ao teatro, o que foi descumprido. Do jeito que estão hoje, ocupando até os bancos da calçada, eles definitivamente não poderão ficar''.

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