Os artesãos que trabalham na Praça Marechal Floriano Peixoto, centro de Londrina, iniciaram ontem uma liquidação dos produtos expostos em suas bancas. Segundo o presidente da União dos Artesãos da Praça Marechal Floriano Peixoto (Uniflor), Demindo Florentino, 55 anos, os produtos terão descontos entre 5% e 20%. ''Vamos liquidar as mercadorias para conseguirmos desovar o máximo do nosso estoque antes de nos mudarmos para o Cereal (Centro de Referência do Artesanato de Londrina)'', afirma.
Segundo o presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanismo (CMTU), Wilson Maria Sella, os artesãos começam a transferência para o Cereal neste final de semana. ''Na segunda-feira todos já devem estar no novo local colocando os boxes em ordem. E na terça-feira as vendas começam normalmente'', afirma.
Florentino, que está na praça há 27 anos, acredita que a mudança para o Cereal será boa para os artesãos. ''No início, a ida para o novo local será difícil. Aqui (na praça) temos a facilidade de contato com os consumidores por estarmos num lugar aberto. Mas com o tempo a clientela vai se acostumando'', acredita.
A vendedora de bolsas, carteiras e cintos de couro, Eliane Kemmer, 42, observa que a liquidação iniciada ontem também servirá para divulgar o novo espaço dos artesãos. ''Esperamos atrair mais consumidores com os preços menores, e assim já vamos falando sobre o Cereal'', afirma. Eliane, que trabalha na praça há quatro anos, diz que está otimista quanto ao novo local de trabalho. ''Lá teremos mais conforto e segurança. Logo as pessoas vão se habituar, como aconteceu com o Camelódromo'', diz.
Já o artesão Waldemeriton José Elias, 50 anos, não está gostando da mudança. Segundo ele, que está na praça há 30 anos, a ida para o Cereal vai ''acabar matando os artesãos''. ''Não vamos conseguir levar para lá todo o movimento que temos aqui'', alega.
Ele reclama ainda da forma como os boxes estão dispostos no novo espaço. ''Acho que deveríamos ter um local onde cada um levaria sua mercadoria, e que a venda fosse centralizada e controlada pelos artesãos'', opina. Outro problema apontado por Elias é a concorrência do artesanato com produtos industrializados. ''Muitos dos chamados artesãos daqui na verdade não produzem artesanato, mas compram produtos lá na 25 de maio (rua de comércio popular e tradicional no centro de São Paulo) para vender aqui'', diz.
O Cereal terá 54 boxes, sendo 41 no térreo e 13 na sobreloja, ocupada na sua maioria por associações de artesãos dos bairros. Ontem, a reportagem de Folha esteve no local e verificou que muitos boxes estão sendo finalizados para receber os artesãos neste final de semana.
Além dos artesãos da Floriano Peixoto, o local vai abrigar os que trabalham atualmente na Praça Rocha Pombo (área central). A artesã Maria Tanno, que ontem estava eufórica com a mudança, acredita que o trabalho no novo local será melhor. ''Para gente que já é de idade, o Cereal vai ser melhor que trabalhar na rua'', afirma Maria, que ontem já estava fazendo a mudança e distribuindo cartões de visita para anunciar seu novo local.
O artesão Yukio Moroishi, 60 anos, que também é da Praça Rocha Pombo, está igualmente otimista. ''Minha esposa já está lá arrumando o box para a gente mudar'', comenta. Ele acredita que os negócios no início devem ser mais complicados, ''mas os consumidores se acostumam com a idéia'', diz. No entanto, ele afirma que os artesãos deveriam se unir para buscar produtos diferenciados entre si e não ter problemas de concorrência.

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