Artesãos do Cereal trabalham às escuras
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terça-feira, 08 de agosto de 2006
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Os artesãos do Centro de Referência do Artesanato de Londrina (Cereal) estão trabalhando sem luz há uma semana. Na última quarta-feira um curto-circuito teria levado o Corpo de Bombeiros a exigir algumas providências no sistema elétrico do imóvel, localizado na Avenida Rio de Janeiro (Área Central), mas até ontem, segundo os artesãos, nada havia sido feito. O Corpo de Bombeiros não confirmou a informação.
Cerca de 15 boxes permanecem abertos, porém o movimento é fraco. ''Os clientes olham, pensam que está abandonado e nem entram'', reclamou Roberto Rodrigues de Moraes, que trabalha com cintos e bolsas de couro.
Para Paulo Souza da Silva, que utiliza um dos box dos fundos, mais prejudicados pela falta de luz, é o fim do Cereal. ''Isso aqui acabou. São poucas as pessoas que produzem, a maioria compra pronto e só revende. A gente que é artesão mesmo é muito prejudicado.'' Silva queixa-se da atual administração do Cereal, que ''nunca dá satisfação de nada'', e ameaça voltar para o Calçadão. ''O problema é que a prefeitura nos tirou do Calçadão e hoje está cheio de camelôs lá.''
Outro artesão, que está há 30 anos na profissão, também aponta problemas. ''Ninguém fala o que está acontecendo aqui. É cada um por si. Como está tudo misturado, artesãos e gente que revende produto comprado pronto, os interesses são muito diferentes, as idéias não coincidem'', denuncia Hélio Ota. Ele produz bolsas, chinelos e sandálias em couro, e ontem, mais uma vez, tentava trabalhar com o pouco de luz existente na porta de seu box.
A reportagem da Folha chegou a se encontrar com a presidente do Cereal, Castorina de Oliveira, que saiu rapidamente, prometendo voltar dentro de poucos minutos, o que não aconteceu. Em março do ano passado os artesãos também ficaram às escuras, por falta de pagamento. Na época Castorina disse que o problema era decorrente da administração anterior, que não havia prestado contas devidamente.
O diretor de Trânsito da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Álvaro Grotti Junior, que também é responsável pela fiscalização dos vendedores ambulantes, informou que o município não tem qualquer responsabilidade sobre o Cereal. ''Ao contrário do Camelódromo, desde o início a gestão do Centro é interna.''
Em relação aos ambulantes no Calçadão, ele garantiu que a fiscalização é diária e que as apreensões têm sido constantes. ''Ontem (anteontem) mesmo apreendemos 1,5 mil CDs e DVDs. Quem for para a rua para vender, vai perder a mercadoria.''


