Artesãos do Cereal correm risco de ser despejados
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007
Fernando Rocha Faro<br>Reportagem Local 
Criado em 2003 para abrigar os artesãos que trabalhavam em praças da Área Central de Londrina, o Centro de Referência do Artesanato (Cereal), localizado na Avenida Rio de Janeiro, pode estar com os dias contados. De acordo com informações extra-oficiais repassadas por integrantes das associações que integram o projeto, os artesãos receberam uma ordem de despejo que determina a desocupação do imóvel até 20 de fevereiro.
O empreendimento foi formado por vários grupos de artesãos. Os maiores são constituídos de profissionais que atuavam nas praças Marechal Floriano Peixoto e Rocha Pombo. Pouco mais de dois anos depois da criação, o Cereal coleciona problemas. As dificuldades vão desde o corte no fornecimento de água e luz, há 14 meses, até supostas irregularidades em prestações de contas anteriores e vários meses de aluguel atrasado.
A maior adversidade enfrentada pelos profissionais, no entanto, é a queda do faturamento. Estimativas das organizações não-governamentais que integram o projeto apontam que a mudança para o prédio na Rio de Janeiro fez as vendas caírem ao menos pela metade.
''Na rua é mais fácil vender. Não precisa nem de propaganda porque o contato é direto com o público'', explicou Maurício Good, presidente da Artes Brasil, ONG que congrega os artesãos que trabalhavam na Rocha Pombo. Ele disse ainda que vai cumprir a ordem de desocupação, mas pretende negociar outro tipo de apoio do poder público.
Há três meses na presidência da União dos Artesãos da Praça Floriano Peixoto (Uniflor), Sebastião Ribeiro de Souza também garantiu que o grupo vai cumprir a decisão da Justiça. Com o intuito de viabilizar a atividade, a ONG está tentando uma parceria com o Serviço de Apoio à Pequena Empresa (Sebrae). ''E com um projeto sério em mãos, devemos correr atrás dos órgãos públicos para tentar novas parcerias'', adiantou.
Procurada pela reportagem da FOLHA, a diretoria do Cereal preferiu não se manifestar. O prédio foi alugado pelas associações diretamente com o proprietário. A obrigação da Prefeitura era fazer um repasse mensal para pagamento, de acordo com o Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Idel), parte das despesas com o aluguel.
''Cumprimos todas as nossas obrigações. Como houve problemas com prestações de contas anteriores, o repasse deixou de ser feito. O que ocorreu foi um problema interno de administração do Cereal'', comentou o presidente do Idel, Mauro Viecili.


