Artesãos de Londrina buscam capacitação
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quinta-feira, 29 de julho de 2004
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Artesanato é a arte de realizar trabalhos manuais usando elementos culturais e matéria-prima locais. Mas o que poderia permanecer apenas como um hobby pode se tornar fonte de lucros, tanto para o produtor quanto para o país. Buscando capacitação e o incremento da produção, artesãos de Londrina estão se organizando por iniciativa do Sebrae e, na tarde de ontem, realizaram o primeiro encontro para discutir meios de desenvolver uma identidade local e ganhar competitividade num mercado que promete bons resultados.
O Sebrae-Londrina trouxe de Brasília (DF) a consultora especializada no assunto Malba Aguiar para compartilhar experiências com os artesãos londrinenses. ''É preciso nivelar conhecimentos para que todos possam compreender que podem gerar emprego, renda e preservar a cultura'', destacou. Em sua fala, ela procurou destacar aspectos básicos do setor e como agregar valor aos produtos trabalhando aspectos culturais regionais. De acordo com ela, a produção artesanal brasileira concorre internamente com outros 13 países e é preciso valorizá-la para ganhar competitividade no mercado. Malba lamentou a falta de uma política pública para o setor já que, segundo ela, o artesão brasileiro tem à disposição criatividade e matéria-prima abundantes.
Depois de se aposentar como professora, Marly Raduy decidiu centrar forças nos trabalhos de mosaico em cerâmica, vidro e porcelana, enfocando a fauna e a flora brasileira e paranaense. ''Em geral, as pessoas copiam das outras, pois é mais fácil copiar do que criar'', apontou. Opinião semelhante manifestou o artesão espanhol radicado na cidade, Diego Unica Alcala, que trabalha com marchetaria (produção de caixas e porta-jóias em madeira). ''O artesão daqui não cria, apenas copia'', lamentou. De acordo com ele, o mercado é limitado mas existe procura. ''Tudo que se faz com boa vontade e criatividade ajuda, tanto em relação à venda quanto ao lucro'', ressaltou.
''Nossa cidade é tão bonita que merece ser divulgada e mostrada em nossos produtos'', apontou a artesã Maria do Socorro Siqueira, que há 25 anos atua no setor. Ela observou porém que ser artesão no Brasil não é nada fácil. ''Falta espaço para comercializar nossa produção'', reclamou. Para diminuir custos e ampliar as chances de sobrevivência, há um ano ela se uniu a outros 20 artesãos e buscou o apoio do Sebrae. ''Isso facilita o trabalho porque abre muitos espaços'', destacou a artesã que faz quadros e caixas em MDF ilustrados com pontos turísticos de Londrina.


