Artesãos da pintura 'mexem' com o povo
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terça-feira, 11 de julho de 2000
Silvana Leão De Londrina 
Um trio de artesãos está chamando a atenção de quem passa no Calçadão de Londrina. Fazendo do espaço público seu ateliê temporário, os chilenos Marcelo Alvarado e Rafael Sotomayor e o colombiano Carlos Alberto Rincon utilizam tinta em spray como matéria-prima para suas telas, que ficam prontas em poucos minutos e enchem os olhos da maioria das pessoas que passa pelo local.
Ontem os três repetiram o ritual que vêm seguindo há quatro dias na cidade. Logo pela manhã colocaram seus materiais muitos tubos de tinta e folhas de papel especial sobre a calçada e começaram a pintar paisagens, imagens geométricas e tudo o que lhes vinha na cabeça. Em poucos minutos, jovens, velhos e crianças já paravam para apreciar a habilidade dos gringos. Os menos ocupados sentavam e esqueciam da vida.
Por volta das 15 horas, a estudante Tatiane Patrícia Teodoro, de 20 anos, já tinha perdido a noção de quanto tempo estava ali, de olhos fixos nos desenhos que brotavam das mãos dos três artesãos. Acho que estou aqui há uns 30 minutos, revelou.
Ao seu lado, a aposentada Maria José de Aguiar, de 67 anos, confessava que estava ali pela segunda vez. Vim de manhã, fiquei uns 40 minutos vendo eles trabalharem e voltei agora enquanto espero meu neto voltar do Correio, contou, revelando o desejo de comprar um dos trabalhos que Alvarado acabara de fazer.
No começo eu não dei nada pelo desenho, mas olha como ficou lindo. Só não vou levar porque moro em 1º de Maio (61 quilômetros ao norte de Londrina) e vou ao médico antes de ir para casa, disse a aposentada. A tela que encantou Maria José trazia dois golfinhos saltando, tendo ao fundo um sol avermelhado.
O casal Romildo e Áurea Cristina Pereira, de Nova Odessa (região de Campinas, no interior de São Paulo) não resistiu e levou para casa um dos trabalhos recém-confeccionados por Rincon. Pagaram R$ 10,00 e não acharam caro. Só este material que usam deve ser supercaro. E o trabalho é cheio de detalhes, vale a pena, disse Romildo Pereira, mostrando a paisagem composta de árvores e cachoeiras iluminadas pela lua. O que mais me chamou a atenção foi a facilidade com que eles passam para o papel o que mentalizam.
Segundo Marcelo Alvarado, a técnica utilizada por ele e pelo dois amigos é chamada aerosolgrafia e faz parte do artesanato mexicano. Aprendemos no Chile e optamos por desenvolver esta técnica na rua por ser mais rápida. Mas também fazemos óleo sobre tela, esculturas em metal e outros trabalhos. Alvarado explica que leva em média 20 minutos para produzir um novo trabalho com spray. São vendidas em torno de 20 por dia, a R$ 10,00 cada.
Os artesãos saíram da Bolívia há cerca de cinco meses e estão pensando em fixar residência uns tempos em São Paulo. No geral, os brasileiros nos recebem bem e gostam muito de arte, comentam. Eles dizem, porém, que no momento o objetivo maior não é ganhar dinheiro, mas conhecer outras culturas e, quem sabe, no futuro, escrever livros sobre os costumes de cada país.


