Uma reunião a portas fechadas ontem entre o prefeito Nedson Micheleti (PT) e uma comissão de artesãos pode ter colocado um ponto final na polêmica transferência desses profissionais da Praça Marechal Floriano Peixoto, na área central de Londrina, para o Centro de Referência do Artesanato (Cereal). Depois de oito meses de discussão, os envolvidos encerraram a conversa confiantes de que a proposta do Executivo será aceita pela categoria. Caso isso ocorra, a mudança acontece dentro de 30 dias. Até então, os artesãos e garantiam que não sairiam da praça.
Para convencer os artesãos, o prefeito se comprometeu em encontrar um local definitivo para o Cereal, que até o ano que vem funcionará provisoriamente em um prédio na Avenida Rio de Janeiro, poucos metros abaixo de onde ficam as atuais barracas. Além de arcar com a reforma e o aluguel do imóvel nos próximos 36 meses, o Município também se comprometeu a bancar as despesas com água e luz nos primeiros três meses de funcionamento. Caberá ainda à prefeitura divulgar o Centro e programar eventos culturais para atrair público.
Enquanto a reforma do prédio que irá abrigar o Cereal estiver em andamento (as obras devem durar cerca de um mês), os artesãos continuarão na praça. Com isso, a programação para a revitalização do espaço também terá que ser revista. A reforma, que começou com a retirada do petit-pavet no sentido Calçadão-Catedral Metropolitana há duas semanas, será retomada em sentido contrário.
Caso a proposta seja aceita, Micheleti também se livra de uma disputa judicial indesejada. Isso porque ele vetou o projeto de autoria do vereador Carlos Bordin (PP), aprovado pelo Legislativo na última semana, que previa a revitalização da praça e a permanência dos artesãos. Havia a ameaça de que os vereadores promulgassem o projeto, o que forçaria uma discussão jurídica do assunto por meio de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) que poderia se arrastar por meses.
O presidente da União dos Artesãos da Praça Floriano Peixoto (Uniflor), Demindo Florentino, comentou que estava ''acreditando na proposta'' e bastante otimista que, com essas garantias, os 27 associados aprovem a transferência. A decisão sairá numa assembléia que deverá ocorrer hoje pela manhã. Se aprovada, a saída das ruas também deverá ser seguida pelos artesãos da praça Rocha Pombo. Mesmo confiante, Florentino criticou a demora para se encontrar uma saída amistosa. ''(A prefeitura) poderia ter feito isso muito antes. Foi um desgaste desnecessário'', afirmou. Ele reclamou que foi apenas a segunda vez que os artesãos conversaram com o prefeito.
O presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Wilson Sella, concordou que pode ter havido falha na condução da discussão sobre a transferência mas creditou a mudança de atitude dos artesãos ''a um processo de convencimento'', construído com o passar dos dias. O próximo desafio da CMTU agora é abrigar os hippies da praça Floriano Peixoto que, por enquanto, expõem seus produtos no Calçadão.

mockup