O ditado popular ''Justiça tarda mas não falha'' foi validado ontem em Londrina, contra o artesão Paulinho Marcelino Rosa, de 36 anos. Ele foi até o plantão da 10 Subdivisão Policial (SDP) para registrar o furto de seus documentos pessoais e acabou preso. A polícia descobriu que havia um mandado de prisão contra ele, por descumprimento de sentença judicial.
O superintendente da 10 SDP, Francisco de Assis, contou que o artesão chegou para registrar a queixa do furto dos documentos. Assim que o plantonista digitou o nome no sistema informatizado de registro, verificou que havia um mandado de prisão contra ele, expedido pela Justiça de Ibiporã (14 km a leste de Londrina), em 1998. Depois de um desentendimento com a ex-mulher, o artesão havia sido condenado a prestar serviços à comunidade mas não cumpriu a sentença. ''Nunca tinha visto um caso como este'', comentou Assis.
O artesão disse que não cumpriu a sentença porque não tinha dinheiro, fato desmentido pela polícia já que ele não foi condenado a fazer pagamento em dinheiro. ''Sou um joão-ninguém largado no mundo'', falou, já atrás das grades. Ele disse que, quando chegou à delegacia para registrar o furto, não imaginava que ficaria preso. ''Se eu continuar preso, como vou pagar?'', questionou Rosa, apontando que, como artesão, ganha pouco. Segundo ele, ontem, teria vendido apenas R$ 8,00 até ser preso.

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