Artesão e Kelly,
a travesti, chamam
atenção no 4º DP
Josoé de CarvalhoJosoé de CarvalhoAcima, o aperto no 4º Distrito Policial que reúne 45 presos; ao lado, o detento Osvaldo Melo que constrói objetos de decoraçãoAssistir TV, ouvir o rádio, conversar, ler revistas e a Bíblia. Os presos do 4º Distrito Policial de Londrina (região central) procuram inventar opções para passar o tempo nas celas. Uns usam mais a criatividade e conseguem ganhar dinheiro com o passatempo. É o caso de Osvaldo Martins Melo, 36 anos, preso há sete meses por porte de arma. Usando cola e laminado, ele constrói pequenos objetos decorativos, como casas, barcos e abajures.
Osvaldo Melo disse que aprendeu o ofício na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), onde esteve preso por porte de tóxico. Ele demora entre três e quatro dias para terminar um objeto que é vendido por cerca de R$ 25,00. ‘‘Isso me ajuda a passar o tempo porque a gente fica só trancado aqui dentro’’.
No 4º DP é possível encontrar acusados dos crimes mais variados, como tráfico de drogas, roubos e assaltos. Uma figura que chama atenção na carceragem é o travesti Francisco Rufino dos Santos, 23 anos, mais conhecido como Kelly. ‘‘Me esqueceram aqui dentro, acho que já cumpri a minha pena e deveria ser solta’’, disse Kelly, detida há 7 meses por roubo.
Morena, cabelo preto comprido e com uma aparência bastante feminina, Kelly contou que é bem tratada no 4º DP. Mas lembrou que passou por uma situação complicada no 2º distrito, onde estava detida inicialmente. ‘‘Rasgaram toda a minha roupa, eles queriam me pegar’’, explicou. Depois, foi encaminhada para a Prisão Provisória, mas ficou lá poucos dias. ‘‘Eu tive sorte em vir para cá, eles me respeitam muito’’, afirmou.
O 4º DP possui capacidade para 24 vagas, mas está com 45 presos. ‘‘Agora até que está dando pra aguentar, já teve época que estávamos com 12 em um xadrez’’, comentou um preso. Uma das reclamações mais comuns é a falta de espaço nas celas. Eles gostariam de ficar mais tempo nos corredores.
O delegado do distrito, Joaquim Antonio de Melo, informou que três vezes por semana os detentos têm a possibilidade de sair das celas: visita de familiares, banho de sol e um dia em que eles são soltos no corredor.
Na visita feita ontem, o presidente do Conselho Comunitário de Segurança, Newton Moratto, conversou com alguns presos. Do detento Ricardo Alexandre de Castro, 24 anos, ele recebeu o pedido para que lhe conseguisse um advogado. Ele contou que está preso desde o dia 9, acusado de ter participado de um assalto, mas não possui defesa.
Newton Moratto prometeu entrar em contato com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para providenciar ajuda. (L.O.)

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