Duas artesãs estão precisando de ajuda para continuar um trabalho voluntário junto a mulheres da Zona Norte de Londrina. Gislaine Dias Elias e Semíramis Oliveira de Carvalho ensinam, desde 2005, donas-de-casa a fazer crochê, tricô, bordados, macramês, pinturas em tecido e, acima de tudo, a dar um novo sentido a suas vidas. O sonho é ampliar as atividades, e ter patrocínio para a compra de materiais.
As oficinas de artesanato acontecem no Centro Cultural da Zona Norte, em barracão cedido pela Secretaria Municipal de Cultura. Todas as segundas e sextas-feiras, um grupo de aproximadamente 40 mulheres e crianças se reúne para transformar barbantes, fitas e linhas. De suas mãos saem toalhas, tapetes, colchas, panos-de-prato, chinelos e tudo o que a imaginação permitir. ''Comercializamos nossa produção em algumas feiras, sempre que a prefeitura nos cede espaço'', explica Gislaine.
As vendas são importantes porque permitem a continuidade do projeto e funcionam como fonte de renda para as artesãs, mas o que mais parece animá-las é o resgate da auto-estima proporcionado pelos trabalhos manuais. ''Uns anos atrás eu tive uma depressão muito grave e os médicos recomendaram que eu aprendesse este tipo de atividade. Nunca tinha dado certo. Agora resolvi começar o curso e estou super feliz. É melhor e mais barato do que fazer terapia'', defende a dona-de-casa Cristiane Bonezi, 44 anos.
A garotinha Kézia Ferreira Alves, de 8 anos, já é considerada uma ''empresária'' pelo grupo. Ela começou a frequentar as oficinas com a mãe e aprendeu a bordar toalhas de mão e de rosto com fitas, que são um sucesso. ''Bordo umas 10 por mês e vendo tudo. Com o que ganho, compro mais material e umas coisas para mim, tipo roupas, tiaras, amarradores de cabelo'', conta a pequena bordadeira.
Kézia não é a única criança do grupo. Os irmãos Igor e Marcos Terui Bicudo, de 12 e 8 anos, respectivamente, estão aprendendo a fazer crochê. Meio envergonhados no começo, brincavam com a agulha escondido, até que Gislaine os convenceu a aprender. ''Quero fazer um tapete'', revela Igor. A mãe dos garotos, Claudia Terui Bicudo, é uma das mais animadas: ''Não sabia fazer nada, e já estou até confeccionando toalhinhas de crochê para dar de presente'', comemora.
Se tiverem apoio financeiro, as coordenadoras do projeto têm a intenção de oferecer também oficinas de corte e costura, culinária, cozinha industrial e cabeleireiro. ''São mulheres que querem mudar sua história de vida, e para isso só precisam de um incentivo'', dizem as professoras.

Serviço: Mais informações sobre o projeto podem ser obtidas pelos telefones (43) 3329-0316 / 3336-3735 (com Semiramís) / 9977-0381 (com Gislaine).

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