Artesanato muda vida de agricultor
Therezinha Thomaz
De Assaí
Compor uma canção nipo-brasileira dirigida ao dekassegui é sonho antigo do agricultor Hirojuki Nidaíra, 63 anos, residente na Seção Bálsamo, distante 8 quilômetros de Assaí (36 km a leste de Londrina). Em 1995, quando fui ao Japão juntamente com minha esposa Toshiko, tinha em mente três objetivos: conhecer a terra natal de meus pais, trabalhar e fazer uma canção.
Ele tencionava pedir ajuda a um tio que mora no Japão, compositor musical e escritor de histórias de guerra, mas devido à sua doença um derrame não pôde conversar com ele sobre o assunto e terminou retornando ao Brasil sem realizar seu sonho. Como acontece com todo dekassegui, Nidaíra sentiu solidão, saudade do Brasil e dos filhos que ficaram cuidando da lavoura e do gado.
Durante o período de um ano em que ficou no Japão, conheceu Miyazato que viera do Peru e trabalhava na mesma fábrica. Foi ele quem divulgou um tipo de artesanato de madeira, barato, fabricado no Peru. Nidaíra trouxe a idéia para o Brasil e, nos fundos de sua casa, montou uma minifábrica com material adaptado. Comprou um mancal no ferro velho por R$ 2,00, juntou madeira velha e montou uma serra circular que serve para fabricar de tudo, em conjunto com um pequeno torno e uma lixadeira. Algumas peças são torneadas à mão.
Em abril de 1998, começou a fabricar diversos tamanhos de casinhas para cachorro. Aos poucos, foi criando outras peças que hoje somam 21, entre elas, casinha para papagaio, banquinho para pesca e ofurô (banheira), escadas com três e quatro degraus, porta-chaves, taco para jogo e destravador de porta de veículos. Esta última peça, de muita utilidade para taxistas, serve também para calçar sapatos e cavocar a terra para verificar o estado de germinação da semente. O artesanato é fabricado mediante encomendas e as peças variam de R$ 0,80 a R$ 33,00.
Nos tacos para jogar minigolf pak, ele aproveita tacos de sinuca usados que ganha dos bares. Nidaíra conseguiu uma amostra com o amigo Seji Nakayama, que em 1997 esteve em Hokaido (Japão) e conheceu a fábrica de tacos e também a modalidade de jogo, ainda nova no mundial. Após retornar ao Brasil, construiu um campo com um alqueire de área, em sua fazenda na Seção Bálsamo, onde pratica o que aprendeu no Japão e ensina aos amigos, juntamente com a professora Shizuko Toda. Em relação ao golfe, cuja bolinha é lançada além de 100 metros de distância, no minigolf pak fica entre 80 e 100 metros.
Nidaíra nasceu em Bauru (SP) e veio para a Seção Bálsamo em 1936, com apenas três meses de vida. Fez o curso primário, estudou a língua japonesa e ajudou seu pai Hiroshi nas lavouras de café e algodão. Além de agricultor, exerceu outras atividades como mecânico, caminhoneiro, comerciante de secos e molhados. Também foi inspetor de quarteirão da Polícia Civil em São Sebastião da Amoreira. Mudou-se para Assaí em 1989, onde foi presidente da Associação Japonesa da Seção Bálsamo e conselheiro fiscal da Liga das Associações Culturais de Assaí (Laca).





