Artesanato gera oportunidade de primeiro emprego
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segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
Cambé - O artesanato está abrindo portas para o primeiro emprego a jovens estudantes da região do Jardim Novo Bandeirantes, em Cambé (Norte). Através do programa ''Tecendo o Futuro'', mantido por uma fábrica de mobiliário, adolescentes entre 14 e 16 anos aprendem a trabalhar com a fibra sintética utilizada para fazer móveis em base de alumínio.
A oficina é oferecida desde o ano passado em parceria com o Núcleo de Educação Social e Profissional (Nesp) da Associação de Proteção à Maternidade e à Infância (APMI), que atende 120 adolescentes de famílias carentes no contraturno escolar. A empresa cede a matéria-prima necessária, as ferramentas e um instrutor, que também trabalha como artesão na fábrica. A entidade oferece o espaço físico. A intenção é que todos os alunos matriculados aprendam a lidar com o material.
O objetivo da oficina é apresentar uma nova profissão aos adolescentes, desmitificando o artesanto apenas como sinônimo de bordado e outras artes manuais. Com as habilidades adquiridas, os meninos podem encontrar oportunidades de trabalho na região que, de acordo com Paulo Guilherme de Souza, diretor de produção da fábrica Donaflor, tem quase dez fabricantes de móveis que empregam aproximadamente 400 artesãos.
Evandro Dalécio, 16, e Augusto César Martins, 17, são estudantes do ensino médio, ex-alunos do Nesp e funcionários da empresa desde o início do ano. A chance de conseguir o primeiro emprego veio através da oficina do núcleo, onde eles também participaram dos cursos profissionalizantes em Gestão de Mercados, Gestão Administrativa e Informática Básica e oficinas de culinária e acompanhamento pedagógico.
De acordo com Pedro Conte, analista de Marketing da Donaflor, o trabalho realizado pela equipe do Nesp dá uma formação integral aos jovens, o que gera profissionais diferenciados. Além de aprenderem a trabalhar com a fibra, eles são mais responsáveis, flexíveis, cumprem horários e sabem questionar quando há necessidade. ''A região precisa de pessoas com esse perfil para trabalhar com o artesanato.''
O diretor de produção confirma que o desempenho dos funcionários é satisfatório. ''Eles têm mais disciplina, são educados, cumprem horários e têm muito interesse em aprender. Além disso, são fáceis de conviver'', afirmou, lembrando que já houve funcionários com muita experiência na técnica de tecer as fibras, mas que geraram problemas por não aderirem às ordens dos superiores.
Evandro foi indicado por profissionais do Nesp para a vaga na empresa. Estudante do segundo ano do ensino médio, ele pretende fazer vestibular para Agronomia. Empolgado com o primeiro emprego, o rapaz conta que fez a oficina de artesanto por curiosidade. ''No início era difícil. Depois que a gente acostuma fica mais fácil'', considerou.
Augusto também estranhou o tema quando foi selecionado para a oficina. Depois de acostumado com o trabalho, porém, ele considera que já tem uma profissão. ''É bom ter meu próprio dinheiro e não depender mais dos pais'', disse o adolescente, que garante ter aprendido bem mais do que apenas tecer os fios da fibra nos cursos e oficinas do Nesp. ''A gente aprende a fazer marketing pessoal e se comportar nas entrevistas'', afirmou.
A coordenadora do núcleo, Lilian Juliane Abucarub, explicou que os cursos profissionalizantes são oferecidos apenas para adolescentes que estão frequentando o ensino regular, Nas oficinas, assuntos como a importância da família, sexualidade e o cumprimento de responsabilidades são temas comumente discutidos.


