''Quando chega essa época, a gente fica alegre, mas triste''. A declaração do presidente do Conselho Indígena do Paraná, o caingangue Antônio Ribeiro, 44 anos, expressa o paradoxo entre as crenças do seu povo e a preocupação econômica, cada vez mais acentuada entre os índios. Ao mesmo em que está associada à longevidade, a florada da taquara significa meia década de recessão, em que os caingangues ficam sem sua principal matéria-prima de artesanato.
Depois de florescer e secar, a taquara demora seis anos para estar novamente pronta para a coleta. Nesse período, como não armazenam a planta, os caingangues ficam impossibilitados de produzir suas tradicionais cestarias, maior fonte de renda da Reserva Apucaraninha. ''A gente desanima, porque esse é o único trabalho indígena que o branco valoriza. A produção de artesanato cai uns 90%'', lamenta Antônio. Os caingangues se vêem obrigados a intensificar a produção agrícola, usualmente restrita à própria subsistência, e buscar outros materiais para artesanato, como a criciúma planta que cresce nas margens dos rios e o bambu, que só é encontrado fora da aldeia.
''A situação para algumas famílias deverá ser bastante difícil. Temos que pensar, a curto e médio prazo, opções que garantam a auto-sustentabilidade deste grupo, envolvendo políticas públicas nas esferas municipal, estadual e federal'', alerta a coordenadora do Programa de Atendimento ao Kaingang, Marlene de Oliveira.

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