Cledson de Jesus era eletricista e agora se dedica ao artesanato cristão
Cledson de Jesus era eletricista e agora se dedica ao artesanato cristão | Foto: Fotos: Ricardo Chicarelli



Deixar a estabilidade de um emprego fixo para encarar uma nova e imprevisível jornada em outra profissão. Além do artesanato e artigos para casa e bem-estar, histórias com estes enredos podem ser encontradas no Pavilhão Internacional, na 58ª edição da ExpoLondrina (Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina), que vai até o dia 15 de abril no parque Ney Braga (zona oeste). No local, expositores de diversas cidades do Paraná e do Brasil buscam mostrar seu trabalho para o público que visita a feira pé-vermelho.

Em um dos lados do espaço, imagens de santos da igreja católica podem até passar despercebidas se não fosse uma questão. Diferente da grande maioria das estátuas, estas são feitas com materiais reciclados de pneus. De borracha, elas não quebram ou sofrem avarias com possíveis quedas. O idealizador da proposta é Cledson de Jesus. Natural de Formosa do Oeste (Oeste), era eletricista até mudar de ramo e enveredar para o artesanato cristão, há quase dois anos.

"Minha esposa já trabalhava com pneus para produzir objetos de decoração e um dia, na área de casa, tive a ideia de tentar fazer alguma coisa com estes materiais, mas que não fosse encontrada com facilidade. Nisto, me veio a mensagem da igreja para sustentabilidade. Resolvi juntar tudo isso para fazer imagens religiosas a partir de pneus", relata. "Fui atrás de um químico para saber as possibilidades de poder mexer com este material e com este nicho resolvi apostar e largar o serviço", conta.

"Quando deixei de advogar queria algo mais prazeroso", conta Guiomar Pereira, que se dedica à produção de tapetes artesanais
"Quando deixei de advogar queria algo mais prazeroso", conta Guiomar Pereira, que se dedica à produção de tapetes artesanais



ASSISTÊNCIA
Os pneus usados como base são adquiridos em borracharias ou retirados do meio ambiente e totalizam meia tonelada mensais. Depois de triturado e ganhar forma, o objeto recebe a pintura, que é feita por cerca de 200 famílias do município da região Oeste paranaense. São 120 modelos e a produção é de até cinco mil imagens por mês. "Levo estas imagens em feiras e eventos religiosos. Na ExpoLondrina cheguei na semana passada e vou até o final. Espero que as vendas sejam boas e que as pessoas conheçam mais este trabalho", projeta.

O empreendedor também arrecada verba para o Hospital de Assis Chateaubriand (Oeste). Parte do valor da comercialização é convertido para a instituição de saúde. Acostumado a trocar de profissão – já foi músico e montador de imóveis -, Jesus se diz satisfeito com a nova ocupação. "Vivo disso e não me arrependo de deixar de trabalhar com a parte elétrica. Se precisar voltar atrás eu volto, porém tenho certeza que não vou precisar, porque o que faço não é apenas por dinheiro. É por alegria."

DIREITO DE REIVENTAR
Advogada, escritórios em três cidades brasileiras e com uma boa renda. Assim era a vida de Guiomar Pereira há cinco anos. Foi por um desejo de se reinventar e encontrar "novos ares" que a moradora de Jacuí, em Minas Gerais, resolveu trocar os 16 anos de direito pelo artesanato. "Fiquei um pouco desiludida com o direito, pois o Brasil tem muitas leis, mas a Justiça não funciona. Vivi muito tempo em Belo Horizonte (MG) e quando abandonei o trabalho, e vivendo em Jacuí, que é pequena e sem muitas atrações, acabei entrando em depressão", relembra.

Foi na produção de tapetes artesanais fabricados em tear que ela achou um novo campo a ser explorado. O serviço começou junto com a sogra e logo aumentou, com a soma de trabalhadores rurais da pequena cidade mineira, que ajudam na produção. Com os tapetes, redes e outras confecções, ela viaja pelo País em feiras como a ExpoLondrina, onde está pelo segundo ano consecutivo. Mãe de dois filhos, de 7 e 12 anos, ela ainda precisa encontrar tempo para conciliar vida profissional e pessoal.

Animada com o movimento da exposição, Pereira vê no artesanato a forma perfeita de colocar seu gosto pela decoração em prática. Segundo ela, a projeção é atualizar-se constantemente para poder levar o conhecimento ao serviço. "Quando deixei de advogar queria algo mais prazeroso. Tive receio no começo, mas está dando tudo certo. Para mim é uma felicidade imensa ver pessoas, como os trabalhadores do campo que participam deste processo, agregando valor no que fazem. Este carinho é revertido no produto final", destaca.

SERVIÇO – Mais informações sobre o evento no www.expolondrina.com.br

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