Pedaços de bambu se transformam em peças de artesanato pelas mãos de internos da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) inscritos no curso ''Trabalhador no Turismo Rural - artesanato de bambu'', ministrado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). Realizadas ontem e anteontem, as aulas atenderam 30 detentos - divididos em dois turnos - interessados em aprender a lidar com o material. Há mais 30 pessoas inscritas para novas turmas.
A técnica é mais uma forma de dar vazão à criatividade de internos que, habilidosos com as mãos, trabalham com artesanato dentro da penitenciária. A atividade, realizada por 104 presos, ajuda significativamente no sustento das famílias. A prática garante, ainda, a remissão de um dia da pena a cada três dias dedicados à confecção das peças.
''As famílias se encarregam de vender a produção'', explicou a pedagoga Kazuco Numata, da divisão ocupacional e de qualificação da PEL. São os familiares, também, que trazem o material - entregue às quartas-feiras - e informam as encomendas dos clientes.
Barcos com emblemas de time, caixas, casinhas, porta-jóias e enfeites são alguns dos exemplos da produção dos internos. Segundo Kasuco, a aptidão adquirida dentro da penitenciária é uma forma de garantir a subsistência dos detentos após o egresso. ''Quando eles saem, são segregados pela sociedade, não conseguem oportunidades. O artesanato acaba ajudando a subsistir'', avaliou.
É através da venda de casinhas, baús, barcos e porta-jóias que um detento de 27 anos ajuda a sustentar sua família. ''Comecei fazendo presentes. Os vizinhos gostaram e começaram a encomendar'', contou o interno, que pretende incrementar a produção com as peças de bambu que aprendeu a confeccionar no curso do Senar.
O rapaz não tem intenção de viver de artesanato quando sair da penitenciária. ''Mas não vou abandonar essa arte. Poderá ser um 'bico''', disse ele, que está preso há dois anos e deverá deixar a PEL em alguns meses.
Outro detento, de 25 anos, tem planos de viver da arte após cumprir sua pena. ''Eu mesmo vou vender minhas peças quando sair daqui'', afirmou. Atualmente trabalhando como ''chamador'' (preso que chama os outros internos para atendimento) para a própria penitenciária, ele aposta na aquisição de conhecimentos para garantir uma volta à sociedade mais tranquila. ''A única coisa da gente é o aprendizado'', analisou.
O curso promovido pelo Senar na PEL foi novidade para os detentos e também para a professora Lidinalva Tavares Guirao. Experiente no ensino da técnica com bambu, essa foi a primeira vez, entretanto, que ela deu aulas a detentos. ''Os alunos são dedicados, interessados e muito criativos'', elogiou. Lidinalva comentou que o aproveitmento foi muito bom e aposta que alguns internos terão oportunidades no mercado de produtos turísticos.

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