Alunos de uma escola de Londrina descobriram que a banana – além de doce e nutritiva – também é economicamente rentável. Ontem, um grupo de 17 adolescentes da 8ªsérie iniciou um curso de artesanato baseado na fibra desta planta com moradores do Patrimônio Selva (distrito rural).
  A artesã Maria José Teixeira Lopes é quem ensina a técnica na comunidade e conduziu a experiência dos alunos. O principal objetivo deles foi aprender a produzir papel reciclado. Porém, receberam de lambuja dicas para confecionar objetos de decoração, bolsas e chapéus, feitos com a fibra desidratada da bananeira.
  Segundo a professora de Biologia Mariléia Cavallari, o interesse pela banana surgiu por acaso. ‘‘Desde o início do ano, realizamos uma série de pesquisas químicas paralelamente à teoria. Desta maneira, os alunos perceberam que a casca da banana desidratada e moída é um ótimo absorvente de metais encontrados nas águas. Depois, soubemos que a comunidade do patrimônio Selva utiliza a fibra natural como matéria-prima para artesanato’’, explicou.
  Antes de colocarem a mão na massa, os alunos conheceram as diferentes espécies de bananeiras que Maria José cultiva no quintal e suas aplicações. Para fabricar o papel, muito usado em convites de casamento e luminárias, é preciso cozinhar pedaços do tronco da bananeira durante duas horas, triturar no liquidificador, adicionar àgua à mistura, coar numa peneira retangular e secar ao sol. Para dar um aroma especial, inclui-se casca de citronela à àgua e para colorir pode-se adicionar açafrão ou colorau. ‘‘Mas, para qualquer uso, é necessário que a bananeira tenha mais de 10 meses’’, aconselhou Maria José.
  Bruna Takahashi, Larissa Shimomura e Julia Bearzi animaram-se com a idéia de utilizar o aprendizado para fabricar suas próprias bolsas de praia e porta-jóias. Até os meninos gostaram da experiência. Connor Mcmahan, por exemplo, decidiu aproveitar a aula e criar seu cofrinho ecologicamente correto, reaproveitando uma caixa de sapato coberta pelo avesso da fibra natural. Aliás, a maioria dos objetos de decoração produzidos no patrimônio e vendidos para comerciantes locais e regionais, utiliza como molde e estrutura materiais reciclados como: potes de plástico, embalagens de papel e cilindros de automóveis.
  Conforme a professora de Biologia, que voltará com a turma à ‘escola’ de Maria José, este é – com certeza – apenas o início de uma parceria.

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