ARTESANATO - Bordado é fonte de renda em Jundiaí do Sul
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sexta-feira, 02 de julho de 2010
Vinícius Fonseca<br>Reportagem Local 
Jundiaí do Sul - Uma cidade tranquila, com cerca de três mil habitantes, ruas pouco movimentadas. Assim é Jundiaí do Sul (Norte Pioneiro). Além do clima típico de interior, a cidade é reconhecida por outra característica: o bordado.
O bordado chegou ao município no começo da década de 1980, quando duas moradoras foram mandadas a Ibitinga (MG), considerada a Capital Nacional do Bordado, para aprender um pouco dessa arte e ensinar em Jundiaí. Em 1983, uma escola de bordado foi montada. Dezesseis anos depois, surgiu a Associação das Bordadeiras de Jundiaí do Sul, formada hoje por sete mulheres que, com agulha e pano na mão, produzem artigos de cama, mesa e banho. Todas as mercadorias são comercializadas em uma loja própria.
''O bordado aqui é muito forte e bem conhecido pelas cidades vizinhas'', revela Rosiclei Cipriano da Silva Pinto, mais conhecida como Teka, que há quatro anos preside a associação. O trabalho feito pelo grupo de mulheres, que teve o apoio do Sebrae, já recebeu prêmio estadual e conseguiu espaço inclusive fora do Paraná.
Ela conta que foi preciso ter pulso firme para encarar o desafio de formar uma cooperativa e também de fazer do bordado um trabalho. ''O bordado pra mim é tudo, tenho outro emprego de manhã e depois passo a tarde inteira fazendo os trabalhos que trago para a lojinha (onde os produtos são comercializados)'', afirma.
Segundo Rosiclei, o bordado é tão popular na cidade que nem todas as pessoas que dominam a técnica estão diretamente ligadas à associação, mas que a busca pela lojinha com os trabalhos é muito boa. Rosiclei comenta ainda que os trabalhos são feitos em casa e apenas expostos em um espaço no Centro da cidade.
Desafio
Uma das primeiras pessoas a entrar na Escola de Bordadeiras e também na Associação, Neiza Terêsa de Andrade diz que a formação do grupo de bordadeiras há 10 anos foi fundamental para desenvolver o trabalho de melhor maneira, pois reduziu o custo das despesas com compra da matéria-prima. ''Facilitou muito também porque agora temos como expor os trabalhos que produzimos'', acrescentou. Na época, elas receberam apoio do Sebrae.
Neiza já tentou parar algumas vezes, mas sua paixão pela arte do bordado é tanta que ela desistiu da ideia. ''Cheguei a contratar alguém para fazer isso no meu lugar e pensei até em vender o equipamento, mas não consigo ficar longe do bordado.''
Apesar do reconhecimento que têm as bordadeiras da pequena cidade do Norte Pioneiro, Neiza acredita que a situação poderia ser melhor se mais pessoas comprassem a ideia de trabalhar como cooperativa ao invés de buscar um lucro individualizado. ''Se mais gente encarasse o desafio de bordar poderíamos aumentar a produção e seríamos ainda mais reconhecidas pelo trabalho.''


