Giovani Ferreira
De Curitiba
Depois de formar seus seis filhos, a dona-de-casa e artesã Zélia Gomes de Jesus Scholz, 68 anos, voltou a estudar e nos últimos seis anos já conseguiu concluir o primário e este mês prepara-se para a formatura do 2º Grau. Exemplo de força de vontade e determinação, os desafios da vovó nesse retorno para a escola não param por aí. A partir do próximo ano ela inicia a preparação para o vestibular, na intenção de disputar um vaga no curso de Belas Artes.
Muito mais do que uma conquista e uma satisfação pessoal, Zélia espera que sua experiência sirva de estímulo para que outras pessoas que abandonaram a escola, independente da idade, voltem a frequentar as salas de aula. Na avaliação de Zélia a formação escolar é fundamental, uma vez que a ‘‘falta de estudos incomoda por toda a vida’’.
Disse que nunca é tarde para recomeçar, lembrando que voltou a estudar depois de 50 anos, período em que formou três filhos comunicadores, dois professores e um agrônomo.
A artesã, que trabalha com tecelagem e tapeçaria, encara a escola como mais um desafio em sua vida. O relacionamento com os alunos mais jovens também está sendo visto de forma positiva. ‘‘Entrei na escola, me enturmei e nunca tive problemas’’, disse Zélia, que estuda na mesma escola onde o neto Renato Werner Scholz, 8 anos, cursa a segunda série do primário. Orgulho de ter a vó como colega, Renato lamenta apenas que os dois estudam em turnos diferentes.
Sobre o espaço e as oportunidades de estudo para as pessoas mais velhas, Zélia faz uma avaliação crítica, destacando que muitas vezes falta um apoio mais concreto dos órgão governamentais. As pessoas que no passado abandonaram os estudos até querem voltar para a escola, mas muitas vezes encontram dificuldade por causa da falta de estabelecimentos que oferecem um ensino diferenciado.
Zélia também fala da superação dos problemas enfrentados na escola moderna. Lembrou, que na sua época a matéria que ser toda decorada, ao contrário de hoje, onde as apostilas são utilizadas como suporte fundamental para o aprendizado. Muita coisa mudou e a gente precisa se adaptar em alguns casos e aceitar em outros, disse a Zélia, fazendo referência principalmente ao vocabulário adotado pelos jovens de hoje, que utilizam muitas gírias e expressões características da época.

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