Artesã consegue cirurgia no coração
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segunda-feira, 13 de junho de 2005
Guilherme Gouveia<br> Reportagem Local 
Ribeirão do Pinhal Foram dias de angústia e apreensão. O medo de acabar a bateria do aparelho que a mantém viva desde 1996 terminou na tarde de sexta-feira. A artesã Erquília Aparecida da Rocha, 60 anos, de Ribeirão do Pinhal (57 km a Oeste de Jacarezinho), conseguiu finalmente a liberação de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) para reimplantar pela terceira vez um novo desfibrilador cardioversor. A boa notícia partiu dos médicos do Instituto Dante Pazzanene de Cardiologia, localizado na capital paulista, que cuida da saúde da paciente há 10 anos.
''Recebi uma ligação na sexta-feira dizendo que a cirurgia estava marcada. Estou muito aliviada porque a bateria do aparelho está bem fraca e não sabia quanto tempo mais aguentaria'', desabafou Erquília. Segundo ela, o equipamento será reimplantado na quinta-feira. Amanhã de madrugada, junto com dois filhos, ela viaja para São Paulo em um carro da prefeitura. Será internada às 10 horas para a realização de exames. ''Está tudo encaminhado, estou feliz porque não precisei buscar outros caminhos. Se Deus quiser, vai dar tudo certo e logo estarei de volta'', planeja.
Erquília sofre de um tipo de arritmia decorrente do Mal de Chagas e precisa do aparelho para viver. O distúrbio provoca paradas cardíacas de até dois segundos e causa desmaios e fraqueza, problema que se tornou frequente desde que o aparelho ficou exposto a um campo magnético. As ondas de um rastreador de satélite de um caminhão, estacionado em frente da casa dela, reduziram bastante a vida útil do equipamento. ''Na semana passada, as paradas voltaram com mais força, o suficiente para me derrubar. Estou me resguardando para evitar outras quedas'', contou. Desde o incidente com o caminhão, ela dobrou a dosagem do remédio que toma para ajudar na circulação.
Segundo a paciente, o pós-operatório é bem tranquilo. ''Na última vez, fiquei dois dias internada no hospital e já voltei para casa'', recordou. A história da artesã sensibilizou os moradores de Ribeirão do Pinhal. O prefeito Moacir Riberio Lataliza (PMDB) conseguiu a cirurgia em um hospital de Campina Grande do Sul, mas a equipe médica responsável pelo caso achou melhor não liberar o reimplante.


