Artes marciais contra o abandono
O abandono dos espaços de lazer e a violência de bairros pobres são combatidos a golpes de capoeira e caratê em Ibiporã. Mas não se trata de nenhuma inovação no treinamento dos agentes responsáveis pela segurança pública. Ao contrário, a iniciativa que está revolucionando a realidade de bairros como Jardim Bom Pastor foi encabeçada de forma voluntária pela associação de moradores.
A necessidade de mudança ficou evidente quando um crime grave ocorreu na área. Uma troca de tiros entre bandidos, que terminou com um acidente de trânsito, fez com que a luz vermelha acendesse para os moradores da região. ''Esse é o trajeto que meu filho faz todos os dias. Então, acordamos para a necessidade de mudar essa realidade'', revela o presidente da associação que representa cinco bairros, Lafayette Forin, 29 anos.
O principal problema era a presença de traficantes e usuários de drogas, que ocupavam as áreas que deveriam ser de lazer. A solução encontrada foi a revitalização da praça e do centro comunitário do bairro, que voltou a ser um ponto de encontro dos moradores.
No início, o salão foi reformado e passou a abrigar aulas semanais de capoeira para crianças e jovens carentes. Tudo de graça. E Forin conta que usou dinheiro do próprio bolso para comprar equipamentos de musculação para o local. Hoje, parcerias com voluntários, a administração municipal e o Espaço Vida, programa ligado à Igreja Presbiteriana, permitiram a expansão das ações sociais.
As crianças e jovens também têm aulas de caratê, balé e dança de rua. Para isso, outro centro comunitário da região, que também passou por reforma, está sendo usado. E o resultado, de acordo com Forin, é a redução de até 70% dos índices de criminalidade nos bairros atendidos pelos projetos.
As iniciativas não páram por aí. A associação também promove reuniões mensais da comunidade com profissionais como psicólogos e assistentes sociais. As próximas metas são receber a implantação do projeto Policiamento Ostensivo Volante (Povo) e revitalizar a quadra e o centro comunitário do bairro vizinho. E ainda levar as aulas de artes marciais para uma escola municipal.
''Todo mundo quer morar num lugar bom'', resume Forin, com sabedoria.





