Londrina - Um protesto, uma encenação, uma brincadeira. Muita gente se perguntou o que um grupo de jovens fazia ontem de manhã no prédio da Secretaria Municipal de Cultura, em frente à Concha Acústica, região central de Londrina. De longe era possível ouvir exclamações como "é um direito nosso" ou "é nosso patrimônio público". A Guarda Municipal chegou minutos depois, mas o que parecia uma "invasão" se esclareceu como uma manifestação artística.
O grupo de sete alunos era supervisionado por Margarida Vine, professora de Expressão Corporal do curso de Artes Cênicas da Universidade Estadual de Londrina (UEL). "A ideia é trabalhar os sentidos, o ambiente e o corpo em movimento. No mês de julho, essa turma andou pela cidade e se encantou com esse prédio, que tem uma história de abandono. A gente resolveu voltar e fazer uma interferência nesse ambiente", explicou. O prédio está fechado desde 2011, à espera de uma revitalização.
Em poucos minutos, a ideia de ganhar a atenção do público parecia fazer efeito. "Ainda não entendi o que está acontecendo, mas parece que é um protesto porque eles estão falando sobre reforma, conservação", comentou uma porteira de um dos prédios vizinhos.
Segundo Margarida, enquanto muitos tentavam adivinhar, outros paravam e perguntavam sobre a intervenção. "Com isso, a gente estabeleceu um experimento de comunicação. Tudo aqui é um improviso. Os alunos foram pegando elementos do próprio prédio em uma relação de expressão cênica, mas que não deixa de ser uma denúncia de descaso", afirmou.
Para o estudante Alex Araújo Pereira, de 22 anos, foi uma experiência diferente. "Além de ser um ambiente externo, se encontra em total estado de abandono. Lá dentro, nós vimos cadeiras e até computadores", contou.

Licitação
A secretária de Cultura, Solange Batigliana, destacou que é importante a participação da comunidade em cobrar melhorias, mas que o problema está próximo de ser resolvido. Segundo ela, a prefeitura relançou edital para concluir as obras. A licitação tem preço máximo de R$ 976.169,25. Os envelopes com as propostas serão abertos no dia 9 de dezembro. Ela adiantou que, além de beneficiar os servidores, a reforma vai atender à população. "Será de uso misto. Teremos um auditório, uma sala de exposições e o solário para a realização de eventos", adiantou.
O prédio histórico, projetado nos moldes racionalistas pelos arquitetos João Batista Villanova Artigas e Carlos Castaldi, foi inaugurado em 1955 para abrigar a primeira creche pública do município na gestão do prefeito Hugo Cabral. Na década seguinte, a Casa da Criança deu lugar à Biblioteca Pública. Somente em 1984 o espaço foi destinado como sede da Secretaria de Cultura.
A falta de conservação fez com que o imóvel ficasse deteriorado. Em 2011, sem condições de permanência, os funcionários se mudaram para um prédio cedido pelo governo federal, na Rua Pio XII. Nestes dois anos, o abandono deu espaço para a ocupação de moradores de rua e o consumo de drogas. O problema foi amenizado no começo deste ano quando a prefeitura retirou os antigos tapumes de madeira e substituiu por alambrados.
A limitação de orçamento foi o maior entrave para a revitalização. Além da reforma, o prédio histórico exige também o restauro, o que eleva os custos. Em 2011, uma empresa começou a fazer o serviço, mas foi dispensada por incapacidade técnica.

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