No ano de 2007 o curso de Medicina da Universidade Estadual de Londrina (UEL) completa 40 anos, e as comemorações devem ser marcadas por ações para torná-lo capaz de formar profissionais mais humanos. Na semana passada os calouros assistiram a uma aula inaugural especial, com representantes da Associação Brasileira de Medicina e Arte (ABMA). São médicos que estão encabeçando no País um movimento que pode mudar a realidade dos atendimentos na área de saúde no Brasil, com o uso da arte como promotora da humanização.
Álvaro Nonato de Souza, presidente da ABMA, flautista e cirurgião; Paulo Barreto Campelo, vice-presidente da associção, baterista, percussionista e pneumologista; e Valderílio Feijó Azevedo, coordenador do setor de pesquisa e educação da entidade, violonista, cantor e reumatologista, falaram aos novos alunos sobre ''Medicina e Arte - da Mitologia aos Dias Atuais''. Os três profissionais são apaixonados pela medicina e também pela música, por isso garantem que não conseguiriam viver de uma sem a outra.
''Somos médicos que utilizam a arte no trabalho com os pacientes e na formação dos estudantes. Praticamos ativamente a medicina, e a arte só nos ajuda a torná-la mais humana.'' Segundo eles, foi com este objetivo que nasceu a ABMA, há pouco mais de um ano. Atualmente a associação reúne profissionais de saúde de várias regiões do Brasil. O próprio grupo comprova isso: Souza é de Salvador (BA), Campelo é de Recife (PE) e Azevedo é de Curitiba.
Apesar do pouco tempo de vida, a ABMA já firmou parcerias com o Ministério da Saúde, Conselho Federal de Medicina, Associação Médica Brasileira e Associação Brasileira de Educação Médica. ''Este movimento que estamos iniciando pode diminuir a obesidade tecnológica e a desnutrição humanística na saúde'', define Campelo, um dos coordenadores do livro ''A Receita da Vida - A Arte na Medicina''. Ele explica que o livro nasceu de um projeto desenvolvido com crianças vítimas de câncer, chamado ''A Arte na Medicina - às vezes cura, de vez em quando alivia, mas sempre consola''.
Os três médicos elogiaram o curso de medicina da UEL. ''A faculdade de Londrina é considerada uma das melhores do País, e para nós é muito importante divulgar a associação aqui.'' Segundo o coordenador do curso, professor Márcio Almeida, a universidade implantou há 10 anos o currículo integrado, fundamentado nos princípios da pedagogia interativa, que tem sido um importante diferencial. ''Mas temos consciência de que o curso ainda apresenta uma debilidade no que diz respeito à formação humanística dos profissionais.''
Almeida revelou que a vinda dos integrantes da ABMA para Londrina já deu um fruto: a realização da 1 Jornada Londrinense de Medicina e Arte, com data ainda a ser definida. Além da jornada, o curso vai realizar, até o mês de outubro, o 1º Congresso de Ex-alunos e 1 Maratona pela Saúde e Contra o Tabaco de Londrina.

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