Arte fora do picadeiro
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 15 de março de 2013
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
Em um caderno escolar, os traços a caneta compõem o primeiro molde, que em pouco tempo se transformará em um dos acessórios mais conhecidos e curiosos dos palhaços: os sapatos. Fabricar sapatos com formas variadas, caracterizadas pela combinação de couro colorido e bicos bem desenhados, requer criatividade e, principalmente, habilidade.
Talvez seja por este motivo que o paulista Waldemar Venâncio Virgílio, de 72 anos, não pode ser considerado um simples sapateiro. Com experiência adquirida desde os 12 anos, o aposentado não consegue se imaginar mais longe das antigas máquinas de costurar couro.
"Se eu não gostasse, já tinha parado de trabalhar há muito tempo", destaca, enquanto atende os clientes que chegam à sapataria Moderna, instalada em uma sala na Avenida Duque de Caxias, na área central de Londrina. No espaço, inúmeros sapatos expostos em prateleiras revelam a aptidão de Waldemar e de seus três funcionários.
Porém, não são os produtos que chamam a atenção de quem procura pelo serviço da sapataria, mas uma máquina de costura que "nunca dá problema". Fabricada na França e adquirida em Franca, no interior paulista, o maquinário tem mais de 30 anos ao lado de seu operador. Foi esse equipamento, inclusive, que ajudou no processo de fabricação de muitos sapatos de picadeiro.
Com fala calma e mãos experientes, Waldemar aproveitou de sua personalidade curiosa para criar sozinho os moldes desses calçados. "Gosto de inventar. Na cidade, sou o único que faz desse jeitinho, que começa desde o desenho. Na época em que o circo era muito frequente por aqui, na Avenida Leste-Oeste, o pessoal trazia os sapatos para eu consertar e assim fui ganhando experiência com esse tipo de calçado", diz.
O processo de fabricação de um sapato de palhaço é um pouco mais demorado porque o importante é criar a forma. Mas isso Waldemar tira de letra. Ele utiliza um modelo de madeira e preenche com gesso até obter o modelo. Depois, é hora de cortar e costurar o couro.
A encomenda mais recente foi do palhaço Bolinha, que optou pelo modelo número 46. "O sapato tem que ser atrativo e reforçado, porque a gente brinca e faz muitas estripulias", conta Valdenir Paz, que interpreta o Bolinha. "Fiquei sabendo do trabalho de seu Waldemar através de amigos. Minha primeira encomenda foi há 15 anos e acabei virando cliente dele", conta.
Leia a reportagem completa em conteúdo exclusivo para assinantes da FOLHA.
- Sei que eles confiam no meu trabalho


