Arte e cultura pela cidadania
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sábado, 30 de novembro de 2013
Érika Gonçalves<BR>Reportagem Local 
Londrina - O dia foi de festa ontem para os 429 adolescentes atendidos pela Guarda Mirim de Londrina. Para apresentar o resultado de um ano de trabalho, os educandos promoveram o IV Projetando Arte, um dia com apresentações artísticas e culturais, além da exposição dos projetos de aprendizagem profissional.
Entre as atividades, o teatro de bonecos e as apresentações de rap fizeram grande sucesso. O tema da peça - preconceito, discriminação e bullying - foi escolhido pelos próprios alunos, que prepararam desde o texto até os bonecos dos personagens durante as oficinas de arte. Um dos manipuladores dos marionetes, Vinícius Gabriel, de 14 anos, explica que a escolha do tema foi motivada por verem muitos colegas passarem pelo problema. "As pessoas ficam até com depressão por isso", alerta.
Vinícius entrou este ano para a Guarda Mirim e conta que já aprendeu várias coisas. "Participo da fanfarra, do teatro de bonecos e também faço raps. Eu já gostava bastante de música e agora comecei o curso de iniciação profissional. Mesmo buscando um emprego, acho que sempre vou gostar de fazer músicas", diz.
Outro projeto que despertou a atenção dos visitantes foi o "Sabão Mirim", desenvolvido pelos alunos do curso de Auxiliar Administrativo. De acordo com a educadora Sara Vicelli de Carvalho, os adolescentes tiveram que criar uma mini empresa, focada em sustentabilidade e empreendedorismo. "Eles fizeram desde o projeto inicial, desenvolveram os diversos departamentos, fizeram o sabão e agora estão cuidando da venda. O lucro será revertido para a formatura, no início de dezembro."
Para a produção de sabão os educandos arrecadaram óleo usado junto à comunidade e cada um comprou "ações" da empresa, para viabilizar a compra do restante do material. Também foram arrecadadas caixas de leite, tanto para servir de forma para o sabão como para embalagem do produto pronto. Os alunos também precisaram projetar um molde para cortar o sabão, de forma que os pedaços fiquem iguais e facilite o trabalho. Quem compra o sabão também leva o produto em embalagem personalizada, feita com caixas de leite e jornal. Um cartão fidelidade dá direito a um brinde ao final de várias compras.
"Não era só fazer o sabão, aprendemos várias coisas e reaproveitamos vários materiais, não só o óleo, mas também as caixas de leite, o jornal, os cordões. Até a madeira usada para fazer a forma de corte é reaproveitada", explica Mariana Moreira dos Santos, de 16. Prestes a se formar, ela diz que pretende voltar à entidade para mostrar para os outros alunos como foi bom tudo que aprendeu.
Francyellen Caroline França, de 17, também diz que gostou bastante de participar da Guarda Mirim. "Eu cresci como pessoa, expandi minha mente", afirma.
Também prestes a se formar, Suzislaine Diniz Gomes, de 16, diz que a experiência servirá de base para os futuros empregos. "Montar uma mini empresa foi difícil, imagina uma grande. Mas foi bom porque quando for trabalhar em algum lugar já sei como funciona cada parte de uma empresa, foi muito legal conhecer cada uma delas."
Como resultado do projeto, a Guarda Mirim resolveu se estabelecer como Ecoponto e o sabão deve continuar a ser comercializado mesmo após a formatura desta turma. Segundo os alunos, é uma maneira de continuar contribuindo com o meio ambiente e a comunidade.
SERVIÇO
■ Quem quiser doar óleo usado ou comprar as barras de sabão pode entrar em contato com a Guarda Mirim pelo fone (43) 3375-0532 ou ir até a entidade, na Rua Orestes Medeiros Pullin, 94, Bairro Aeroporto, às terças e quintas-feiras, das 14 às 17 horas.
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