Érika Pelegrino
De Londrina
Palhaços, malabares, acrobacias e pernas-de-pau fazem parte de um universo mágico bem distante da realidade de fome e miséria de milhares de crianças e adolescentes de Londrina. Muitos conhecem circo apenas de ouvir falar, pois quando grandes companhias do ‘‘maior espetáculo da Terra’’ chegam na cidade, o preço dos ingressos exclui estas pessoas da magia do picadeiro.
Em maio, durante os projetos paralelos do Festival Internacional de Londrina (FILO), estas crianças e adolescentes, ou pelo menos um pequeno grupo delas, terá a oportunidade de entrar em contato com a arte circense. Monitores da Escola Nacional de Circo (ENC), do Rio de Janeiro, estarão mostrando a estas crianças as noções básicas do circo – acrobacia de solo, malabares, equilíbrio (perna-de-pau, monociclo, arame baixo)e inclusive claques de palhaços.
Ontem e segunda-feira, o diretor da ENC Carlos Cavalcanti, esteve em Londrina e visitou o Conjunto José Belinati, na zona norte; o Núcleo de Convivência Ida Pedrialli, naregião leste; o Centro Social Urbano da Vila Portuguesa, na área central, e o Jardim União da Vitória, na zona sul.
Ainda não há uma definição do local onde a oficina irá ocontecer e nem a quantidade de pessoas que serão atendidas. Carlos Cavalcanti adiantou apenas que a idade ideal para desenvolver as atividades pretendidas é dos oito aos 15 anos.
Ele não gosta da denominação ‘‘oficina’’ para o trabalho que será realizado. ‘‘Não estaremos formando artistas’’, explica. A idéia é o resgate da arte circense e a sua difusão em comunidades carentes. ‘‘Queremos formar platéias. Se o programa tiver continuidade, quem sabe futuramente estes meninos e meninas não serão nossos alunos (ENC)’’, afirma.
A idéia não seria nada má, levando em conta que uma das grandes características da ENC é o fato de 100% de seus alunos formados saírem com trabalho garantido. ‘‘Não gosto de falar em mercado de trabalho, mas em espaço para expressar sua linguagem artística’’, diz.
De qualquer maneira, os alunos se formam e vão trabalhar com grandes companhias de circo, de teatro ou de dança, sem mencionar o fato de que 60% deles vão para o exterior trabalhar com o Cirque du Soleil e Ringling Brothers, entre outros grupos. Os monitores da ENC estarão também oferecendo oficina dirigida à classe artística, ginastas, professores de educação física, e outros.
Carlos Cavalcanti conta que a ENC surgiu em 1982 com o circense Luís Olimecha, com a missão de manter viva esta arte entre os filhos de artistas (de circo) que aos poucos foram desistindo de viajar de cidade em cidade acompanhando os espetáculos. ‘‘A escola seria uma forma de oferecer suporte a estes filhos que queriam se fixar na cidade.’’
Mas aos poucos o perfil dos alunos da escola técnica-federal, do Ministério da Cultura, através da Funart, foi se modificando. Cada vez mais pessoas que não tinham origens no circo buscavam a escola. Ex-meninos de rua, moradores de favela, pessoas da classe média e atores se encantaram com o trabalho e ficaram na escola.
Entrar para a ENC, porém, não é nada fácil. Os interessados precisam passar por três avaliações: médica, psicológica e capacidade física. Os aprovados enfrentam quatro anos de curso, sendo o primeiro eliminatório.Meninos e meninas de bairros pobres de Londrina vão receber noções básicas sobre as diversas atividades sob as lonas
DivulgaçãoPOSSIBILIDADEA magia das acrobacias aéreas que compõem os grandes espetáculos circenses: sonho mais perto da realidadeDorico da SilvaPROPAGAÇÃOCarlos Cavalcanti: resgate e difusão da arte

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