Arte com vigilância e burocracia
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domingo, 08 de fevereiro de 2009
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Malvista até décadas atrás, a tatuagem hoje está presente na maioria dos corpos dos jovens e em adultos também. Com a procura cada vez maior por esse tipo de arte, cresce o número de estúdios. Só em Londrina são cerca de 30 locais. O problema está na falta de condições adequadas para que a maioria deles funcione.
De acordo com o tatuador e supervisor regional do Sindicato dos Estúdios de Tatuagem do Brasil (Setap/BR), Fernando Nicolini, apenas sete estabelecimentos da cidade atendem todas as normas necessárias para oferecer um trabalho seguro e de qualidade. ''De todas as pessoas que atendo, cerca de 60% delas me procuram para corrigir algum erro feito por um tatuador e apenas 20% têm solução'', afirma.
As reclamações geralmente estão relacionadas a desenhos malfeitos, mas os riscos presentes em um estúdio inadequado são bem maiores. ''As pessoas podem contrair doenças graves, como hepatite, aids. Existe também o perigo de infecção no local tatuado'', alerta.
Mas de acordo com Nicolini uma portaria elaborada pela Anvisa em 2008, e que passa a vigorar em meados deste ano, irá dificultar um pouco mais o trabalho de quem está irregular. ''A Anvisa sempre exigiu que o local do estúdio fosse higiênico, arejado e os materiais todos esterilizados. Agora, a obrigatoriedade é que os materiais tenham liberação de venda no Brasil. Desde as tintas até os potes onde elas são colocadas precisam de registro. As agulhas devem ser de aço cirúrgico, assim como os piercings, e terão liga de prata e não de estanho como antes. Com todas essas exigências, uma tatuagem não deverá sair por menos de R$ 100. Muito abaixo desse valor é motivo para desconfiar'', diz Nicolini.
A falta de cuidados, quando começou a se tatuar, causou frustração para o professor de capoeira Andro Henrique Cavallari Soares Campos. ''Fiz minha primeira tatuagem com 16 anos com uma pessoa que nem estúdio tinha e ela não ficou legal porque o profissional não tinha talento. Na hora achei ótimo, depois que comecei a comparar com a tattoo dos outros, vi que o desenho estava malfeito. Precisei procurar outro para refazer e desde então só faço com ele. Nem se me pagassem faria tatuagem com alguém sem estrutura adequada e capacitado'', afirma.
Já a artesã Vivian Merlin Viana Rosa Perin, sabia muito bem com quem estava lidando. Esposa de um tatuador, ela tem boa parte do corpo desenhada e está satisfeita. ''Já éramos namorados quando meu marido começou a tatuar e eu sabia da qualidade do trabalho dele. Se não houver certos cuidados, é possível pegar uma doença ou ficar com o desenho feio. Jamais faria sem conhecer quem faz o serviço'', garante.
O técnico em eletromecânica Anderson Ferreira também teve cuidado quando decidiu fazer a primeira tattoo, há dez anos. ''Procurei um estúdio que amigos já conheciam, que era limpo, usava materiais esterilizados. Gostei tanto da primeira, que fiz as outras três no mesmo lugar. Hoje sou amigo do tatuador.''
Saber se o estúdio tem certificado do Setap é uma maneira de se sentir seguro. ''O sindicato exige um monte de comprovantes para liberar o certificado. Desde alvarás até comprovantes da qualidade do trabalho artístico'', garante Nicolini.


