Arte a céu aberto
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terça-feira, 19 de junho de 2018
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 

No meio do caminho havia uma arte. Uma não, um muro inteiro. Quem passa pela avenida Martiniano do Valle Filho, na zona leste de Londrina, olha uma, duas, três vezes para as paredes dos galpões. Há cerca de 10 dias, o local recebeu mais de 50 grafiteiros de São Paulo, Santa Catarina e Paraná, para o "Festival de Grafite Quarteirão das Artes", cujo objetivo é valorizar e revitalizar o entorno do Marco Zero de Londrina.
Ao todo, dez painéis com aproximadamente oito metros de altura e 300 de extensão ganharam um colorido que é um convite aos olhos. "A passagem por aqui ficou diferente. Temos outra visão agora. Parece tudo mais limpo, conservado e até mais claro. Os desenhos ficaram realmente bons", comentou o jardineiro Jair Pires dos Santos, que passa diariamente pelo local.
A mudança que Santos se refere não se limita apenas aos grafites, pois o espaço sempre foi frequentado por usuários de drogas. "A gente trabalhava com as portas fechadas porque o dia inteiro eles (usuários de drogas) ficavam pedindo água, cigarro e toda hora tinha abordagem da Guarda Municipal", acrescentou o marceneiro João Lopes, que trabalha em um dos galpões revitalizados.
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Lopes cita que há seis meses, quando os proprietários dos terrenos cercaram o local, o movimento de usuários de drogas caiu 50%. "Saí em férias e quando voltei, os muros estavam pintados e isso sim trouxe uma melhora de 100%. Aproveitamos a roçagem e até plantamos mandioca, milho e abóbora. Parece outro lugar. Trabalhamos agora com as portas abertas e parece até que viramos atração. Sempre tem gente parando o carro para tirar fotos", comemora.
O painel de arte a céu aberto está finalizado, mas o grafiteiro Jefferson Henrique voltou ao local na manhã de terça-feira (19) para retocar o desenho. "Fiquei insatisfeito com a cor de contorno e resolvi mudar", disse, revelando que sua arte é caracterizada por blocos saturados, confusos. "Essa confusão tem a ver não só com esse espaço, mas com a cidade em si", apontou.
VERTICALIZADA
O secretário municipal de Cultura, Caio Cesaro, acompanhou o trabalho e aposta na interação da sociedade com a arte. "Londrina é uma cidade verticalizada, com muitos paredões que podem se transformar em murais. Precisamos espalhar arte pela cidade porque cria uma interação, mostra o potencial da arte em comunicação, em deixar as pessoas se sentindo melhor", comentou.
De bicicleta, o pintor Gumercindo Moreira passava devagar apreciando a arte urbana. Foi a primeira vez que ele passava por lá, sem a "tristeza" dos muros escuros. "Esse colorido é especial. Está bem melhor do que antes e eu que sou pintor fico ainda mais admirado porque tem que ter um dom mesmo. Se a gente parar para analisar, cada desenho pode ter muitos significados", destacou.
Mas enquanto os olhares são direcionados para os muros grafitados, quando se vira para o lado oposto, a imagem do "esqueleto" do Teatro Municipal faz muita gente pensar que nem tudo é colorido. "Olhar para aquela construção nos faz pensar que a cidade está largada", lamentou Moreira.
A iniciativa do festival de grafite é do coletivo local Cap Style Crew, que contou com o patrocínio do Boulevard Londrina Shopping, Ibis Londrina, Leroy Merlin e Yticon Construção e Incorporação, além do apoio da Prefeitura Municipal.


