Arrumador diz que doença matou dois parentes
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domingo, 04 de abril de 1999
Dimitri do Valle 
Março de 1999 é um mês que será guardado com tristeza pelo arrumador Amarildo Ferreira da Costa, 27 anos. Ele perdeu dois parentes que, segundo ele, foram vítimas da cólera. O auxiliar de pedreiro Zena de Deus, 23 anos, (e não Zemas como chegou a ser divulgado pelo Secretaria Estadual de Saúde) e a dona de casa Maria Veloso, 56 anos, morreram depois de se alimentar com frutos do mar. Tiveram diarréia e vômitos, sintomas típicos da cólera.
Zena morreu no dia 19 de março. A cólera foi a causa da morte apontada pela Secretaria de Estado da Saúde. Já a dona de casa Maria Veloso passou mal em 31 de março e morreu na quinta-feira, dia 1º. Amarildo da Costa recorda que a família nem teve chance de ver a tia no caixão. Ele veio lacrado do Hospital Santa Casa de Misericórdia.
O velório não foi realizado e o corpo da dona de casa foi enterrado às pressas. O enterro foi rápido, ninguém da família teve tempo de ver a tia no caixão, lembra. Ontem à tarde o Laboratório Central do Estado (Lacen) informou que Maria, a suposta quarta vítima da cólera em Paranaguá, não morreu por causa da cólera.
No dia 31 de março, Amarildo conta que sua tia experimentou um pouco de arroz. Uma conhecida que fazia uma visita à dona de casa alertou para o perigo do alimento estar contaminado. Maria teria cuspido o arroz. Já era tarde. No mesmo dia, ele contou que a tia passou a sofrer diarréia, desmaios e vômitos. Foi internada na Santa Casa e morreu poucas horas depois. O arrumador Amarildo da Costa suspeita que não tenha sido apenas o arroz que fez mal a Maria, mas o marisco batizado pelo nome de bacucu, responsável pela contaminação de centenas de pessoas.


