As gangues de adolescentes já não se contentam em arrombar e furtar casas e estabelecimentos comerciais em Umuarama. Os menores passaram também a depredar por pura diversão os locais ‘‘visitados’’. A polícia registra todo dia dois a três arrombamentos em casas, lojas, escolas e até postos de saúde, mas alega que pouco pode fazer porque os menores não podem ser presos.
Os garotos roubam dinheiro, mercadorias, máquinas, documentos. Muitos objetos acabam sendo quebrados e abandonados em terrenos baldios. Nas últimas semanas, os adolescentes passaram também a quebrar móveis e equipamentos, pôr fogo e defecar no interior dos estabelecimentos.
Anteontem, a polícia deteve o adolescente D.R., 14 anos, que na companhia de outros dois menores quebraram vidros e invadiram duas empresas na Avenida Castelo Branco. No mesmo dia, a polícia já havia detido cinco adolescentes responsáveis por furtos em três empresas e uma casa na semana passada. Na Alimentos Beira Rio, empresa do Parque Industrial ‘‘visitada’’ semana passada os menores deixaram bilhetes em que pediam desculpas ao prefeito Fernando Scanavaca ‘‘por roubar comida ’’.
Com a onda de arrombamentos aumentou a venda de sistemas de alarme e a contratação de vigias. O delegado Pedro Fontana Ribeiro disse ontem que a polícia tem elucidado os casos e recuperado parte dos objetos roubados, mas não mantém os adolescentes presos por falta de lugar adequado. De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente, menores de idade não podem ficar em celas comuns.
Segundo Ribeiro, os adolescentes são ouvidos e entregues aos pais enquanto o inquérito é encaminhado ao Juizado de Infância e Juventude. Os juízes nem aplicam a medida de recolhimento por 45 dias, facultada pelo estatuto, porque falta de salas especiais na delegacia. O delegado afirma que 90% dos arrombamentos são cometidos por menores e que as gangues reúnem aproximadamente 20 menores.

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