César AugustoDormindo no pontoJoventino Arruda: ‘Nunca arrombaram minha loja, mas já insistiram bastante. Durmo aqui toda noite’Os constantes arrombamentos registrados no comércio da avenida Saul Elkind (zona norte) têm revoltado os comerciantes daquela região. Eles reclamam da falta de policiamento ostensivo no local e da demora da polícia em atender os chamados, quando solicitados. A avenida, com cerca de 8 quilômetros de extensão, é uma das principais vias da zona norte. Ela corta cerca de 12 bairros e concentra 30% de todo o comércio daquela região.
Um dos alvos dos ladrões, nos últimos dias, tem sido o comércio localizado logo no início da Saul Elkind, na região conhecida como Cinco Conjuntos. O torneiro mecânico André Trevisan teve sua oficina arrombada duas vezes em 97. A última foi antes do Natal, e os prejuízos só não foram maiores, segundo Trevisan, porque o vigia do bairro viu os ladrões.
‘‘Eles estavam em três. Já eram umas duas horas da manhã, quando vi um rapaz sentado no muro da oficina. Quando o abordei, outros dois saíram de dentro da oficina carregando dois capacetes e ainda me disseram que, se eu contasse alguma coisa, morreria’’, relata o vigia Antoniel de Oliveira. Os ladrões levaram dois capacetes.
Na mesma noite, os três rapazes retornaram à oficina para apanhar o que haviam separado. Entre os equipamentos, estavam uma lixadeira e uma soldadeira. ‘‘Eles só não levaram porque o vigia viu quando eles se aproximavam e foi me chamar’’, diz André Trevisan. A polícia foi comunicada mas demorou cerca de 20 minutos para atender a ocorrência, segundo Trevisan.
Outro que já não suporta mais a ação dos ladrões é o gerente proprietário da loja Pisolon, de pisos e revestimentos, Osmário Santos Silva. ‘‘Minha loja foi arrombada três vezes em menos de um ano. Na primeira vez, me causaram um prejuízo de uns R$ 600,00. Depois foi menos e, da última vez, não dei falta de nada. Comecei a deixar na loja só mostruários.’
Osmário diz que os ladrões eram tão audaciosos que entravam, roubavam e fechavam a loja. Já Joventino Santana, dono da loja de confecção Flor do Campo, dorme literalmente no ponto comercial. Ele tem uma cama na loja e, desde que abriu o estabelecimento, há cerca de três meses, dorme todos os dias lá - ele sozinho, às vezes com a mulher, e outras vezes, passa a incumbência para o sócio.
‘‘Na minha loja não conseguiram entrar nenhuma vez, mas já insistiram bastante. Eu durmo ao lado do interruptor e quando ouço mexerem na porta fico acendendo e apagando a luz até que vão embora.’ O presidente da Associação Comercial da Região Norte, Antonio Arruda, comenta que as reclamações dos comerciantes são muitas.
Segundo ele, a direção da Associação já fez várias reuniões com o comando da 3ª Companhia da Polícia Militar, responsável pela região, mas pouco tem adiantado. ‘‘Eles já disseram que não havia viatura e nós fomos até o 5º Batalhão da Polícia Militar solicitar. Depois disseram que não tinha gasolina e nos cotizamos para pagar. Agora temos que fazer outra reunião com o comando.’
Antonio Arruda diz que os comerciantes têm impressão que os ladrões que agem na Saul Elkind moram em outras regiões da Cidade. Ele defende também a união entre os comerciantes para pagar segurança particular. ‘‘Aqui neste setor onde tenho loja, uns 10 comerciantes pagam um vigia. Não podemos esperar só do poder público. Se todos se unirem, fica mais barato.’ Segundo ele, entre os conjuntos João Paz e Violim, onde se concentra a maior parte do comércio da avenida, existem aproximadamente 250 pontos comerciais.
O subtenente Geraldo Miranda, que respondia interinamente pela 3ª Companhia, diz que a ronda na região é feita normalmente: a viatura passa algumas vezes pelas ruas e estaciona em locais onde o índice de ocorrência é mais alto.
Segundo o subtenente, a 3ª Companhia atende toda a região localizada ao lado esquerdo da BR-369, desde a Companhia Cacique de Café Solúvel até Ibiporã. São cinco viaturas em Londrina e outras três em Ibiporã e mais um efetivo de cerca de 100 homens se revezando em turnos de seis horas, durante 24 horas.
Segundo o subcomandante interino do 5º Batalhão da Polícia Militar, capitão Manoel da Cruz Neto, as ocorrências da Saul Elkind não demoram para ser atendidas. ‘‘A 3ª Companhia fica na avenida e a todo momento há viaturas chegando ou saindo dali. As ocorrências são atendidas em três a quatro minutos’’, calcula. Ele informa que este ano foram registradas 292 ocorrências na avenida, incluindo desde a assistência a doentes e acidentes de trânsito, até tentativa de homicídio.
As principais ocorrências foram furtos qualificados, com 19 registros; averiguação de vias de fato (brigas), com 24; e acidentes de trânsito, com 28 registros, além de dois atropelamentos. A polícia também recebeu três chamados no ano para averiguar denúncias de calote e quatro vezes por perturbação do sossego.

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