Quem já não passou a noite inteira sentado durante uma festa porque não sabia dançar? Enquanto muitas pessoas se mexem - bem ou mal -, outras não se arriscam a dar passos em falso, geralmente por vergonha. Nesse caso, a solução é arranjar uma desculpa (o velho pé torcido, quem sabe?) para despistar quem insiste em levá-las ao meio do salão. Ou, quem sabe, se preparar para arrasar na próxima festa.
Não basta se sacudir, é preciso ter técnica e saber usá-la. Não é à toa que existem dezenas de cursos de salão espalhados pela cidade, que reúnem desde adolescentes até pessoas da Terceira Idade.
Segundo o professor de dança de salão Antonio Clezio Dias, a partir da década de 70, as pessoas começaram a dançar mais separadas. Foi com o surgimento da lambada, nos anos 80, que voltou a dança colada. Em Curitiba, o interesse pela dança de salão ficou mais forte há três anos.
No Sul, além das danças de salão, os cursos costumam ensinar também os ritmos gaúchos, como xote e vanerão. A preferência de ritmos varia com a época. Hoje, a dança que está na moda é o tango.
Dias afirma que qualquer um pode dançar desde que tenha vontade e saiba sentir a música. Não faltar às aulas, treinar em casa, sair para dançar ou, pelo menos, para ver uma apresentação também facilitam o aprendizado.
Para quem quer se soltar mais, Dias dá uma dica: tirar a ponta dos pés do chão e trocar o peso do corpo de uma perna para outra. É como se a pessoa estivesse marchando, mas, em vez de o peso ir para o joelho, deve ir para o quadril.
Exercícios, como caminhada, também ajudam a ter molejo. A professora Silmara Gusso diz que a melhor coisa para se soltar e perder a vergonha é colocar uma música e começar a se mexer - de preferência sem pessoas por perto.
Ninguém deve desistir de dançar na primeira dificuldade ou ao ver que o colega ao lado conseguiu aprender mais depressa. É normal que uns tenham mais facilidade que outros e isso está ligado à história motora e emocional de cada pessoa. ‘‘Vai depender se ela sempre praticou atividade física, escutou música, tem auto-estima e sabe seus pontos fracos e fortes’’, diz Silmara.
Com dedicação e duas ou três aulas por semana (de uma hora cada), bastam três meses para começar a pegar o jeito da dança. ‘‘A partir daí, a pessoa se solta e vai se aperfeiçoando’’, afirma Dias.
Além de diversão, a dança pode ser encarada como exercício físico e terapia. A dança corrige a postura, desenvolve a coordenação motora, alivia as tensões, levanta o astral, melhora a criatividade e a auto-estima.

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