Arrependimento e vontade de mudar
Ansioso, o preso Paulo Rogério Ferreira, 28 anos, era o primeiro da fila para o batismo evangélico realizado no 2 º Distrito Policial (DP) de Londrina. O caso dele é um exemplo de como acontecem as conversões dentro dos muros de uma cadeia. Detido por assalto à mão armada, feito segundo ele por outro rapaz, o jovem conta que conheceu Deus no distrito. ''Parece que desce um espírito do céu e puxa a gente para a Igreja'', relata. Como outros, ele garante que quer mudar de vida e deixar o mundo do crime. ''Tenho filho e mulher lá fora. Hoje me envergonho muito de estar aqui'', afirma Ferreira, que é servente de pedreiro.
O arrependimento é outra característica comum entre os convertidos na prisão. Após diversas passagens pela polícia quando menor de idade, Henrique Augusto Ribeiro Passos, 18, foi preso por furto. Após mais de 90 dias encarcerado, ele reconhece a culpa, mas demonstra vontade de mudar. ''Moro com a minha mãe e estava trabalhando. Estou cansado da vida no crime. Mas eu tinha tomado umas bebidas, furtei e acabei aqui. Agora mudar depende só da minha força de vontade'', reconhece.
O consumo de drogas também é apontado como motivo por Cleverson dos Santos Gouvela, 22, detido há mais de 50 dias por assalto. Ele conta que frequentava a Igreja Jerusalém no Brasil antes de ser preso. ''Eu queria me firmar na igreja, mas recaí nas drogas e no crime'', diz ele. Para Cleverson, o mais difícil na prisão é ficar longe dos filhos de 3 e 4 anos.
Questionados pela reportagem sobre o porquê da conversão não ter ocorrido antes da prisão, os detentos foram unânimes na justificativa. Eles dizem que todos estão sujeitos a cometer erros, mesmo os tementes a Deus. O importante, para os internos, é mostrar disposição para mudar. (F.R.F.)





