Arregaçar as mangas e fazer a diferença
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quarta-feira, 19 de outubro de 2011
Michelle Aligleri <br> Reportagem Local 
Em Cafeara (Norte), os 2,7 mil habitantes geram aproximadamente 1,3 mil quilos de lixo por dia. O município, a exemplo de vários outros, enfrenta alguns problemas com a gestão do lixo, mas a situação começa a mudar com a ajuda de estudantes universitários de Londrina.
A coordenadora dos cursos de Tecnologia em Gestão Ambiental e Gestão do Meio Ambiente na Unopar, Claudia Cristina Ciappina Feijó, conta que o município pediu a ajuda da instituição e viu nessa solicitação uma oportunidade de ensinar os alunos na prática. O grupo de estudantes realizou reuniões com os líderes municipais para identificar quais são os principais problemas.
''Percebemos que eles não têm lixeiras e que alguns moradores até separam o lixo reciclável mas a coleta é feita de maneira inadequada'', disse. Ela destacou que o grupo também identificou que o galpão de recicláveis fica ao lado do lixão e isso favorece que os cinco catadores fiquem em meio ao lixo orgânico e rejeitos recolhendo os materiais recicláveis que foram encaminhados de forma inadequada.
De acordo com a professora, a ideia é orientar os munícipes sobre a forma correta de separar e enviar o material reciclável. ''Também queremos fazer um curso com os professores para que estes ensinamentos cheguem às crianças'', afirmou. Os catadores foram incluídos neste processo. ''Eles serão orientados sobre como fazer a separação do reciclável para que o material tenha mais valor na hora de negociar com os compradores'' explicou. Ela acrescentou que esta etapa de sensibilização visa a segurança do trabalho dos catadores, o aumento da renda e tem como objetivo fazer com que eles não precisem mais ficar em meio ao lixão recolhendo materiais.
O trabalho que está sendo desenvolvido em Cafeara foi iniciado em maio e deve ser realizado por pelo menos mais 12 meses. ''Precisamos desde os materiais mais simples, como lixeiras, até maquinários para fazer a prensa do que é reciclável. A ajuda de empresários interessados é bem vinda. O nosso objetivo é melhorar a gestão ambiental da cidade'', afirmou.
A professora disse que uma das metas do grupo é trazer as lideranças e os catadores da cidade para conhecer o trabalho que é desenvolvido em Londrina. ''É um desafio, mas sabemos que a gestão do lixo é uma questão de saúde pública, reduz o impacto ambiental, valoriza a saúde do trabalhador, gera emprego e renda e envolve a educação ambiental de toda a cidade'', enumerou.
Apesar de estar em andamento, a professora já considera o resultado positivo. ''Eles estão providenciando lixeiras altas que impedem que os cães da rua rasguem os sacos e vemos que a prefeitura está buscando apoio'', levantou. ''Percebemos que 50% dos moradores já estão participando da separação do lixo e estão fazendo isso da forma correta, as embalagens chegam para o pessoal da reciclagem limpas. Isso é muito importante'', acrescentou Cláudia.
Segundo ela, o trabalho em Cafeara está sendo feito de forma voluntária pelos alunos. ''É um trabalho acadêmico, sem recurso nenhum. Se tivesse alguma empresa interessada em financiar certamente poderíamos fazer um trabalho mais completo'', destacou.


