Arrastões terminam em polêmica
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quarta-feira, 01 de outubro de 1997
Lucília Okamura Londrina 
O trabalho de abordagem dos menores de rua, que teve início em julho deste ano, foi interrompido há cerca de um mês. Segundo o presidente do Conselho Tutelar, Júlio Botelho, a decisão foi tomada pelos órgãos que vinham participando do chamado arrastão.
Cada um dos órgãos tem suas atribuições e não dava para ficar só fazendo as abordagens, observa. Júlio Botelho afirma que a abordagem é uma medida paliativa e que este trabalho estava sendo feito para cobrir buracos dos programas sociais que não existem.
A decisão de realizar abordagens foi tomada durante reunião envolvendo entidades e órgãos do setor. Participavam do trabalho, além da equipe do Conselho Tutelar, a Polícia Militar e comissários de menores. Júlio Botelho explica que foram feitas 11 abordagens à noite, resultando na apreensão de 70 adolescentes e 34 crianças.
Os menores eram encaminhados à Secretaria Municipal de Ação Social e deveriam ser colocados em algum programa de atendimento. Além disso, alguns pais foram visitados e outros chamados à Vara da Infância e Juventude.
Na opinião do presidente do Conselho Tutelar, a abordagem serviu para mostrar que não basta apenas tirar as crianças da rua se elas não forem encaminhadas a algum programa, como escolas-oficinas. Ele critica o poder público, afirmando que sempre ouve a mesma resposta quando se questiona sobre os programas de atendimento a crianças e adolescentes: falta de verbas.
Júlio Botelho diz que o investimento para montar programas não é alto. Segundo ele, não seria preciso, por exemplo, construir uma residência para abrigar o programa, já que muitos bairros têm espaço físico disponível - igreja, centro comunitário e escola.
A secretária de Ação Social, Marisa Goettel do Nascimento, afirma que a abordagem foi válida para aquele momento, quando havia um grande número de crianças na rua. Era um momento especial e, com a abordagem, o número de crianças e adolescentes nas ruas diminuiu sensivelmente, afirma. Ela observa que os resultados foram positivos e o objetivo não era mesmo um trabalho permanente.
Sobre as críticas da falta de empenho do poder público, Marisa Goettel diz que a secretaria é responsável por duas casas-abrigo, 11 oficinas e o projeto de abordagem de rua. Ela afirma que o trabalho não deve se restringir apenas à sua Secretaria. É preciso que a comunidade toda se envolva para resolver o problema.


