Arrastões reduzem 80% de assaltos
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 11 de novembro de 1998
Edna Mendes 
Segundo cálculos da Polícia Civil de Foz do Iguaçu, caiu em 80% o número de assaltos praticados diariamente na Ponte da Amizade, fronteira entre Brasil e Paraguai, desde que a Polícia Federal começou a realizar arrastões para coibir a criminalidade no local.
Antes do arrastões, a Polícia Civil estimava que, em média, 10 pessoas eram assaltadas por dia na ponte. Mas a própria polícia acreditava que esse número poderia ser bem maior, já que a maioria das pessoas assaltadas são sacoleiros e turistas que voltavam às suas regiões sem registrar queixa na polícia. A 6ª Subdivisão Policial, a mais próxima do local, fica a cerca de quatro quilômetros da ponte.
Os assaltos na ponte caíram imensamente depois que iniciaram as operações da PF. Esses arrastões têm sido a melhor maneira de combater a violência na ponte que já havia se transformado num local de atuação de quadrilhas profissionais, disse o delegado-adjunto da 6ª Subdivisão Policial e presidente do Conselho de Segurança de Foz do Iguaçu, Altino Remy Gubert Junior.
As ações da PF para reprimir assaltos e roubos na ponte iniciaram no dia 28 de outubro e desde essa data são realizadas de duas a três operações por semana no lado brasileiro da ponte. Cerca de 15 policiais federais participam dos arrastões que acontecem em dias alternados, sempre das 7 às 19 horas.
Nos dias de arrastões todas as pessoas suspeitas que transitam pelas passarelas são abordadas e têm os documentos checados. Quem é pego com contrabando de cigarros, drogas e armas é encaminhado à Delegacia da Polícia Federal. Desde que iniciaram as operações, 297 pessoas foram detidas para averiguações.
De acordo com a PF, a pessoa que for apanhada pela terceira vez consecutiva nos arrastões será presa por vadiagem.
Segundo o delegado-chefe da PF em Foz do Iguaçu, Airton Nascimento Vicente, a colaboração da Marinha Paraguaia, que também fiscaliza o lado paraguaio da ponte, tem sido fundamental para o bom desempenho dos arrastões.
Graças a cooperação da Marinha Paraguaia nossas operações estão sendo um sucesso. Antes, quando os assaltantes enxergavam a PF no lado brasileiro, corriam para o Paraguai, o que acabava prejudicando o nosso trabalho, disse.
O delegado ressaltou que depois que os arrastões passaram a ser realizados com maior frequência, os turistas e sacoleiros voltaram a trafegar a pé pela ponte. As pessoas tinham muito medo de atravessar a ponte a pé porque as quadrilhas ficavam na espera para atacar. Agora, com a polícia reprimindo a violência, as pessoas estão voltando a passar a pé, destacou.
No ano passado, a polícia realizou este mesmo tipo de operação, mas não obteve resultados satisfatórios porque não colaboração da polícia paraguaia.
Cerca de 10 mil pessoas e 25 mil veículos transitam nos dias mais movimentados, nas quartas-feiras e sábados, na Ponte da Amizade.


